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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

CLONES DE HEMOGLOBINÚRIA PAROXÍSTICA NOTURNA EM PACIENTES PEDIÁTRICOS: ANÁLISE TRANSVERSAL E LONGITUDINAL DE UMA COORTE LABORATORIAL DE 25 ANOS

  1. 1Grupo Fleury, São Paulo, SP, Brasil

Abstract

Introdução: A HPN resulta da expansão clonal de células hematopoéticas com mutações no gene PIGA, levando à deficiência de proteínas ancoradas a GPI. A citometria de fluxo (CF) de alta sensibilidade é o método de referência para detecção desses clones, porém estudos pediátricos permanecem escassos, especialmente quanto à distribuição e evolução longitudinal dos clones. Objetivos: Avaliar a frequência, a distribuição do tamanho e a evolução longitudinal dos clones HPN em pacientes menores de 18 anos. Metodologia: Estudo retrospectivo dos exames de pesquisa de clone HPN realizados entre 2000 e julho de 2026. Foram analisados 1.423 exames, sendo 98 por CF de baixa sensibilidade e 1.325 de alta sensibilidade. Os exames foram estratificados em 0–12 e 13–17 anos, sendo 703 crianças e 720 adolescentes. Foram identificados 245 exames positivos, correspondentes a 158 pacientes únicos. Os clones em neutrófilos, monócitos e hemácias foram avaliados como variáveis contínuas e categorizados em <0,1%; 0,1–<1%; 1–10%; 10–50%; e >50%. Trinta e nove pacientes apresentavam seguimento seriado e 37 possuíam classificação clínica disponível (13 HPN hemolítica e 24 HPN associada à aplasia). Resultados: Dos 158 pacientes, 57 (36,1%) tinham 0–12 a e 101 (63,9%), 13–17 a. A CF de alta sensibilidade foi responsável por 242 dos 245 exames positivos (98,8%). Não foram observadas diferenças significativas no tamanho ou na distribuição dos clones entre crianças e adolescentes. Entretanto, clones >50% foram identificados em 2 crianças e 15 adolescentes em neutrófilos, e em 3 crianças e 18 adolescentes em monócitos, demonstrando que grandes expansões clonais podem ocorrer já na infância. Pacientes com HPN hemolítica apresentaram clones maiores que aqueles associados à aplasia, com medianas de 8% vs. 1,37% em neutrófilos, 26,5% vs. 1,95% em monócitos e 6,4% vs. 0,08% em hemácias (q=0,0236; q=0,0043; q<0,0001). Na análise longitudinal (124 avaliações; seguimento mediano de 1,12 ano), observou-se aumento dos clones em neutrófilos (1,5% para 3,5%; q=0,023) e monócitos (2,5% para 4,5%; q=0,017), sem alteração nas hemácias. Considerando as categorias <0,1%, 0,1–<1%, 1–10% e >10%, a maioria dos pacientes permaneceu na mesma categoria entre o primeiro e o último exame (64,1% dos neutrófilos, 69,2% dos monócitos e 48,7% das hemácias). Progressão para uma categoria superior ocorreu em 23,1%, 20,5% e 35,9%, enquanto redução de categoria foi observada em 12,8%, 10,3% e 15,4% dos casos. Entre os 26 casos sem clones >10% na avaliação inicial, cinco (19,2%) evoluíram para clones >10%. Dois pacientes com clones <0,1% tornaram-se negativos, enquanto dois pacientes inicialmente negativos passaram a apresentar clone HPN detectável. Discussão: Esta representa uma das maiores séries laboratoriais pediátricas de pesquisa de clone HPN por CF. A adoção da metodologia de alta sensibilidade foi responsável por praticamente todos os casos detectados. Embora a idade não tenha influenciado significativamente o tamanho dos clones, clones de grande magnitude também ocorreram em crianças de até 12 anos. A análise longitudinal evidenciou expansão significativa dos clones leucocitários, geralmente sem mudança da categoria de tamanho, mas cerca de um quinto dos pacientes inicialmente sem clones >10% evoluiu para essa categoria. O surgimento de novos clones e o desaparecimento de pequenos clones reforçam o caráter dinâmico da hematopoese clonal pediátrica e a importância do monitoramento seriado.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -