ASPECTOS HEMATOLÓGICOS DA LEUCEMIA LINFOCÍTICA CRÔNICA CANINA: RELATO DE CASO
- 1Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza, CE, Brasil
Abstract
Introdução: As leucemias são caracterizadas como neoplasias malignas que se iniciam nas células precursoras hematopoiéticas da medula óssea ou no baço, sendo classificadas de acordo com a linhagem celular acometida: mieloide ou linfoide. Na linhagem linfoide, pode ser classificada como aguda (linfoblastos) ou crônica (linfócitos maduros). Sua etiologia está relacionada a exposição à radiação, hereditariedade e predisposição racial, sendo as raças mais acometidas o bichon frisé, maltês, shih-tzu e yorkshire. A leucemia linfocítica crônica (LLC) é mais comum que a leucemia linfoblástica aguda (LMA) e geralmente ocorre em animais idosos, sendo uma doença lenta e progressiva. Os sinais clínicos podem se apresentar na forma de perda de peso progressiva, apatia, mucosas hipocoradas, linfadenomegalia e hepatoesplenomegalia, bem como de maneira assintomática. Os achados hematológicos mais comumente encontrados são leucocitose intensa persistente (acima de 30.000, chegando até 100.000 leucócitos/μL de sangue), anemia, plaquetose, neutropenia e manchas de Gumprecht. O diagnóstico é baseado nos exames de mielograma, citometria de fluxo e imunofenotipagem. Materiais e Métodos: Foi atendida em um hospital veterinário uma cadela da raça maltês, 11 anos de idade e pesando 6 kg, com histórico de apatia, dispneia e êmese há três dias. Ao exame clínico observou-se algia abdominal e mucosas hipocoradas. Foram solicitados hemograma, exames bioquímicos e ultrassonografia abdominal total. Em virtude dos achados relativos aos exames supracitados, foram realizados mais 2 hemogramas seriados e, após os resultados dos hemogramas, realizado mielograma. Na mesma ocasião, o animal foi encaminhado para o internamento a fim de que fosse realizada transfusão sanguínea. Resultados e Discussão: O primeiro hemograma revelou anemia hipocrômica normocítica (hemácias: 3,73 × 10⁶/μL; hemoglobina: 9,3 g/dL) associada à leucocitose acentuada (237.000 leucócitos/μL) por linfocitose (218.040 linfócitos/μL). Os exames bioquímicos não apresentaram alterações relevantes. A ultrassonografia evidenciou discreta hepatomegalia e moderada esplenomegalia. Nos hemogramas seriados observou-se agravamento progressivo da anemia, com hemoglobina reduzida para 6,8 g/dL no segundo dia e 4,5 g/dL no terceiro dia. A leucocitose permaneceu intensa (258.800 e 258.000 leucócitos/μL), acompanhada de linfocitose, presença de linfócitos reativos e manchas de Gumprecht. No mielograma, foi descrita hipercelularidade, sendo a série mieloide hiperplásica, sem atipias; série eritroide hipoplásica, sem atipias; série linfoide neoplásica com predominância de células maduras e série megacariocítica hiperplásica, sem atipias, sendo essas alterações compatíveis com LLC. Os achados clínicos e laboratoriais observados foram condizentes com os descritos na literatura para a doença. Considerações finais: Conclui-se que a leucemia linfocítica crônica é considerada um desafio devido ser uma enfermidade de caráter lento e progressivo, geralmente com diagnóstico tardio e prognóstico desfavorável. Infelizmente o paciente do relato não realizou a transfusão sanguínea em virtude de evoluir à óbito. À vista disso, sabe-se que os exames complementares, os dados clínicos e a anamnese são de suma importância para um diagnóstico assertivo e precoce. Os autores declaram não haver conflito de interesses.
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AB - Introdução: As leucemias são caracterizadas como neoplasias malignas que se iniciam nas células precursoras hematopoiéticas da medula óssea ou no baço, sendo classificadas de acordo com a linhagem celular acometida: mieloide ou linfoide. Na linhagem linfoide, pode ser classificada como aguda (linfoblastos) ou crônica (linfócitos maduros). Sua etiologia está relacionada a exposição à radiação, hereditariedade e predisposição racial, sendo as raças mais acometidas o bichon frisé, maltês, shih-tzu e yorkshire. A leucemia linfocítica crônica (LLC) é mais comum que a leucemia linfoblástica aguda (LMA) e geralmente ocorre em animais idosos, sendo uma doença lenta e progressiva. Os sinais clínicos podem se apresentar na forma de perda de peso progressiva, apatia, mucosas hipocoradas, linfadenomegalia e hepatoesplenomegalia, bem como de maneira assintomática. Os achados hematológicos mais comumente encontrados são leucocitose intensa persistente (acima de 30.000, chegando até 100.000 leucócitos/μL de sangue), anemia, plaquetose, neutropenia e manchas de Gumprecht. O diagnóstico é baseado nos exames de mielograma, citometria de fluxo e imunofenotipagem. Materiais e Métodos: Foi atendida em um hospital veterinário uma cadela da raça maltês, 11 anos de idade e pesando 6 kg, com histórico de apatia, dispneia e êmese há três dias. Ao exame clínico observou-se algia abdominal e mucosas hipocoradas. Foram solicitados hemograma, exames bioquímicos e ultrassonografia abdominal total. Em virtude dos achados relativos aos exames supracitados, foram realizados mais 2 hemogramas seriados e, após os resultados dos hemogramas, realizado mielograma. Na mesma ocasião, o animal foi encaminhado para o internamento a fim de que fosse realizada transfusão sanguínea. Resultados e Discussão: O primeiro hemograma revelou anemia hipocrômica normocítica (hemácias: 3,73 × 10⁶/μL; hemoglobina: 9,3 g/dL) associada à leucocitose acentuada (237.000 leucócitos/μL) por linfocitose (218.040 linfócitos/μL). Os exames bioquímicos não apresentaram alterações relevantes. A ultrassonografia evidenciou discreta hepatomegalia e moderada esplenomegalia. Nos hemogramas seriados observou-se agravamento progressivo da anemia, com hemoglobina reduzida para 6,8 g/dL no segundo dia e 4,5 g/dL no terceiro dia. A leucocitose permaneceu intensa (258.800 e 258.000 leucócitos/μL), acompanhada de linfocitose, presença de linfócitos reativos e manchas de Gumprecht. No mielograma, foi descrita hipercelularidade, sendo a série mieloide hiperplásica, sem atipias; série eritroide hipoplásica, sem atipias; série linfoide neoplásica com predominância de células maduras e série megacariocítica hiperplásica, sem atipias, sendo essas alterações compatíveis com LLC. Os achados clínicos e laboratoriais observados foram condizentes com os descritos na literatura para a doença. Considerações finais: Conclui-se que a leucemia linfocítica crônica é considerada um desafio devido ser uma enfermidade de caráter lento e progressivo, geralmente com diagnóstico tardio e prognóstico desfavorável. Infelizmente o paciente do relato não realizou a transfusão sanguínea em virtude de evoluir à óbito. À vista disso, sabe-se que os exames complementares, os dados clínicos e a anamnese são de suma importância para um diagnóstico assertivo e precoce. Os autores declaram não haver conflito de interesses.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -