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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

ANÁLISE ESTATÍSTICA DA SOBREVIDA CÂNCER-ESPECÍFICA DO LINFOMA MALT GASTROINTESTINAL NO ESTADO DE SÃO PAULO

  1. 1Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista (FMB-UNESP), Botucatu, SP, Brasil
  2. 2Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista (HCFMB-UNESP), Botucatu, SP, Brasil

Abstract

Introdução: Embora o linfoma MALT gastrointestinal apresente um curso clínico classicamente indolente e forte associação à infeção por H. pylori, a heterogeneidade no prognóstico desses doentes ainda desafia a prática hematológica. Fatores como rearranjos genéticos específicos, idade ao diagnóstico e sexo do paciente parecem deslocar as curvas de sobrevida global. Identificar com clareza o peso destas variáveis demográficas é o que nos permite estratificar perfis de risco e, consequentemente, desenhar linhas terapêuticas personalizadas. Objetivos: Avaliar o impacto do sexo e da idade na sobrevida de pacientes com linfoma MALT gastrointestinal no estado de São Paulo, visando traçar um panorama epidemiológico robusto para refinar o manejo clínico atual. Material e métodos: Coletaram-se dados secundários e anonimizados do Registro Hospitalar de Câncer (RHC) de São Paulo, sob a gestão da FOSP. O desenho metodológico consistiu numa abordagem epidemiológica descritiva focada nesta população específica. A análise utilizou o software RStudio, incluindo diagnósticos de ''Linfoma de zona marginal tipo células B, SOE'' (M-9699/3) (C16-20) entre 2000 e 2025. A sobrevida foi calculada do diagnóstico até a última informação do paciente, com “óbito por câncer” como evento. Para estimar a sobrevida foi utilizada a curva de Kaplan-Meier. Resultados: A amostra incluiu 481 pacientes com linfoma MALT gastrointestinal (10 anos de seguimento) apresentando sobrevida de 93,6%(IC95%:91,41-95,84) no primeiro ano, 91,83%(IC95%:89,33-94,4) no segundo e 82,2%(IC95%:77,4–87,2) ao final. Por sexo, a sobrevida foi 77,82%(IC95%:70,55-85,85) (masculino) e 85,84%(IC95%:79,75-92,38) (feminino; p=0,076). Por idade, a sobrevida foi: até 49 anos 94,8%(IC95%:90,45-99,35); 50-64 anos 90,79%(IC95%:85,72-96,15); 65-79 anos 63,69%(IC95%:51,92-78,13); e ≥80 anos 66,07% (IC95%:46,83-93,23; p<0,0001). Discussão: Os dados confirmam o comportamento biológico indolente do linfoma MALT, traduzido num prognóstico favorável a longo prazo. A idade demonstrou ser o fator de maior impacto no prognóstico. Houve uma queda acentuada na sobrevida dos idosos quando comparada ao excelente desfecho clínico dos doentes jovens — um reflexo provável do acúmulo de comorbidades e da fragilidade dessa população, em linha com o que aponta Thieblemont et al. (2017). No recorte por sexo, as mulheres esboçaram uma tendência de melhor evolução, embora sem alcançar significância estatística. Conclusão: O linfoma MALT gastrointestinal evolui bem no longo prazo, porém, a sobrevida despenca significativamente na faixa etária avançada: doentes com 65 anos ou mais registaram sobrevida inferior a 67% (p < 0,0001), contra mais de 90% observados no grupo abaixo dessa idade. O sexo feminino indicou um desfecho superior, mas a diferença não apresentou relevância estatística (p=0,076). Alinhados com a literatura, estes achados colocam a idade como um biomarcador prognóstico central, exigindo que o manejo hematológico seja desenhado sob medida para o paciente idoso.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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