ANÁLISE RETROSPECTIVA DE SOBREVIDA E COMPLICAÇÕES CLÍNICAS DE PACIENTES COM LINFOMA DE BURKITT EM SERVIÇO DE REFERÊNCIA DO SUS
- 1Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE), Joinville, SC, Brasil
- 2Hospital Municipal São José (HMSJ), Joinville, SC, Brasil
- 3Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE), Joinville, SC, Brasil; Hospital Municipal São José (HMSJ), Joinville, SC, Brasil
Abstract
Introdução: O linfoma de Burkitt (LB) é uma neoplasia altamente agressiva associada à translocação envolvendo os genes IGH e MYC. Embora potencialmente curável com imunoquimioterapia, acometimento extranodal, particularmente no sistema nervoso central, imunodeficiência associada ao vírus HIV e alta carga tumoral podem impactar negativamente o seu prognóstico. Objetivo: Determinar sobrevida e complicações clínicas de pacientes do SUS com Linfoma de Burkitt em seguimento no Hospital Municipal São José de Joinville entre 2021 e 2026. Métodos: Análise retrospectiva, com inclusão de pacientes com diagnóstico de LB por biópsia complementada por imunohistoquímica de acordo com a classificação da OMS, e que receberam ao menos uma linha de tratamento. Resultados: Foram incluídos 10 casos de LB, com mediana de 35 anos (25–48), sendo 5 homens e 5 mulheres. Ao diagnóstico era observada anemia em 8 pacientes (80%), associada a plaquetopenia grave em 2 (20%) e presença de linfócitos atípicos em 1 (10%). A desidrogenase lática (DHL) esteve elevada (> 250 gt; 250 U/L) em 7 casos (70%), superando 2.000 U/L em 4 (40%). Cinco pacientes possuíam HIV (50%), dos quais três tiveram diagnóstico concomitante ao LB. Pelo Burkitt Lymphoma International Prognostic Index (BL-IPI), 6 pacientes apresentaram risco intermediário (60%) e 4 alto risco (40%). Acometimento extranodal foi observado em 8 casos, envolvendo SNC (40%), estômago (20%), intestino (10%) e orofaringe (10%). Todos receberam quimioterapia de primeira linha, sendo 5 em regime DA-EPOCH (50%), 4 em CODOX-M/IVAC (40%), e 1 em metotrexato com citarabina em altas doses (10%). As principais complicações foram neutropenia febril (30%), síndrome de lise tumoral (SLT) com insuficiência renal associada (20%), sangramento em SNC (10%) e infecção secundária em massa axilar (10%). Recidiva após terapia de primeira linha foi observada em 2 pacientes, um dos quais em SNC a despeito de tratamento com CODOX-M/IVAC em primeira linha. Com mediana de seguimento de 6 meses, ocorreram 4 óbitos (40%), três por sepse, dos quais um por COVID-19, e um por SLT associada à IRA, com mortalidade precoce (< 30 dias do diagnóstico) de 30%. A probabilidade sobrevida global e livre de progressão foram 60% e 40% em 12 meses, respectivamente. Discussão: O predomínio de pacientes de alto risco pelo BL-IPI, com elevada carga tumoral e acometimento extranodal, e a elevada frequência de complicações infecciosas impactaram negativamente a sobrevida nesta série de casos. Acesso a melhores medidas de suporte infeccioso e de tratamento de SLT, incluindo acesso a rasburicase, além de melhor acesso a métodos diagnósticos de neoplasia e rastreamento populacional de HIV também poderiam prevenir parte dos desfechos observados. Conclusões: O manejo de LB em população de hospital de referência do SUS foi marcado por características de maior risco, incluindo envolvimento em SNC e mortalidade precoce por complicações infecciosas e metabólicas. Aprimoramento do suporte e medidas diagnósticas, prevenção e tratamento de SLT e complicações infecciosas se faz necessário neste cenário.
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SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -