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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

ANÁLISE DO IMPACTO DO ESCORE DE FRAGILIDADE E DO STATUS SOCIOECONÔMICO NA SOBREVIDA GLOBAL EM UMA POPULAÇÃO DE MUNDO REAL COM MIELOMA MÚLTIPLO DIAGNOSTICADOS EM UM SERVIÇO DE SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL

  1. 1Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Abstract

Avanços terapêuticos no mieloma múltiplo (MM) aumentaram a expectativa de vida dos pacientes, tornando a avaliação geriátrica essencial. O escore de fragilidade da IMWG integrando idade, comorbidades (CCI) e incapacidade funcional (ABVD/AIVD) é o padrão-ouro para guiar decisões terapêuticas. Contudo, seu impacto prognóstico em diferentes cenários socioeconômicos no mundo real permanece pouco caracterizado, e o papel do nível socioeconômico (NSE) nos desfechos do MM é amplamente negligenciado. Este estudo avaliou a sobrevida global (SG) através da aplicação do IMWG e sua associação com status socioeconômico em uma coorte de mundo real de pacientes com MM recém-diagnosticado, tratados no SUS. O Estudo de coorte prospectiva incluiu pacientes com MM recém-diagnosticados, sem restrição de idade, no primeiro mês de diagnóstico e ao início do tratamento. O IMWG foi calculado utilizando idade,Índice de Comorbidade de Charlson (CCI), escala de Katz (ADL) e Lawton (IADL). O NSE foi avaliado pelo Critério ABEP (escolaridade, infraestrutura domiciliar e posse de bens). Variáveis qualitativas foram expressas em frequências absolutas e relativas; quantitativas como médias e desvios-padrão. A SG foi definida do diagnóstico ao óbito por qualquer causa. Curvas de sobrevida foram estimadas por Kaplan-Meier e comparadas por log-rank. Modelos de Cox uni e multivariados estimaram razões de risco (HR) com IC 95%. Significância: p<0,05. Análises: SPSS v.25. Foram incluídos 51 pacientes, mediana de idade 65 anos (36–91), 55% >65 anos. Pelo IMWG: fit n=4 (8%), unfit n=12 (24%), frágeis n=35 (68%). NSE: B1 n=1 (2,0%), B2 n=8 (15,7%), C1 n=11 (21,6%), C2 n=15 (29,4%), D-E n=16 (31,4%); 60,8% nos estratos mais baixos (C2/D-E). Escolaridade: analfabetos n=9 (17%), fundamental incompleto n=13 (25%), fundamental completo n=10 (21%), médio n=13 (25%), superior n=6 (12%). Seguimento mediano: 27 meses (1–73); 18 óbitos (35,3%); 33 censurados (64,7%). Mediana de SG foi NR; média de SG 50,5 meses (EP=4,1; IC95%: 42,4–58,6). Pacientes frágeis (n=35) apresentaram mortalidade mais precoce e frequente (SG mediana 44,0 meses vs. NR nos não frágeis [n=16]; p=0,017). Não houve diferença na SG entre classes ABC vs. D-E. Pacientes com <9 anos de escolaridade (n=22) tiveram SG mediana de 27 meses vs. NR para ≥9 anos (n=29; p=0,048). Moradores de ruas não pavimentadas (n=7) tiveram SG mediana de 27 meses vs. NR em pavimentadas (n=44; p=0,009). Acesso à água encanada mostrou tendência a melhor SG (média 54,5 vs. 34,7 meses; p=0,087). Análise do subgrupo IMWGFS×escolaridade: não frágeis/≥9 anos (n=13) média de SG 56,8 meses (IC95%: 49,4–64,3), mediana NR; frágeis/<9 anos (n=19) SG mediana 27 meses, média 38,0 meses (p=0,007). Cox univariada: frágil vs. não frágil HR=5,02 (p=0,03); idade por estratos IMWG (p=0,004); ABVD ≤4 vs. >4 HR=5,34 (p=0,008); comorbidade 0 vs. ≥1 HR=0,26 (p=0,03); rua pavimentada HR=0,28 (p=0,01); escolaridade <9 vs. ≥9 anos HR=2,51 (p=0,05); ClCr ≥60 mL/min HR=4,16 (p=0,03).Nesta coorte do SUS, a fragilidade foi altamente prevalente (68%) e o IMWG demonstrou valor prognóstico robusto. Privação socioeconômica,baixa escolaridade e moradia inadequada emergiram como determinantes para SG.Os achados reforçam a necessidade urgente de políticas focadas em equidade e determinantes sociais da saúde no MM.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -