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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

PÚRPURA PÓS-TRANSFUSIONAL: RELATO DE CASO

  1. 1Hospital Universitário, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, MG, Brasil

Abstract

Introdução: A púrpura pós-transfusional é uma reação grave e rara, que ocorre em até duas semanas após a transfusão de hemocomponentes. Sua incidência é desconhecida devido à raridade e provável subdiagnóstico. Relatamos o caso de uma paciente com plaquetopenia grave e súbita após transfusão de hemácias. Relato de caso: Paciente de 62 anos, feminina, 01 gestação prévia, histórico de mastectomia à direita devido câncer de mama, já com critério de cura, foi submetida à reconstrução de mama com retalho transversal de músculo reto abdominal. Intercorreu dias depois com isquemia de enxerto, necrose e deiscência de ferida operatória, necessitando de reabordagem cirúrgica e transfusão de 01 concentrado de hemácias. Na ocasião apresentava plaquetometria de 252.000 /µL, sem histórico de distúrbio da hemostasia ou hemotransfusão prévios. Após 07 dias da transfusão, apresentou púrpuras e petéquias extensas e difusas em membros inferiores, sem exteriorização de sangramento, com queda progressiva da contagem plaquetária para 93.000 /µL, com nadir de 5.000 /µL no 8º dia. A análise de sangue periférico não apresentava esquizócitos ou grumos plaquetários e foi excluída hemólise, causas nutricionais, infecciosas ou farmacológicas para plaquetopenia. Aventou-se a probabilidade de púrpura pós-transfusional, porém a dosagem do anticorpo anti-HPA1a não era disponível. A paciente recebeu imunoglobulina humana intravenosa 1 g/kg/dia por 2 dias, seguida de dexametasona por 4 dias, com recuperação rápida da plaquetopenia. Discussão: A púrpura pós-transfusional é um evento raro e potencialmente fatal devido risco de sangramentos graves. A epidemiologia relata que ocorre principalmente em mulheres com histórico gestacional e idade média de 56 anos. O tempo mediano entre transfusão e nadir de plaquetopenia é cerca de 9 dias, semelhante ao caso apresentado. A apresentação clínica principal consiste em petéquias, púrpuras, epistaxe, sangramento oral, genitourinário e gastrointestinal e, menos comumente, febre pós-transfusional. A fisiopatologia da púrpura pós transfusional ainda é incerta, uma das teorias é de que a plaquetopenia grave ocorre quando o receptor desenvolve aloanticorpos contra antígenos plaquetários alogênicos, resultando na destruição paradoxal tanto das plaquetas do doador quanto das plaquetas autólogas. O anticorpo anti-HPA1a é o principal associado, presente em mais de 80% dos casos, o que confirma a etiologia aloimune, porém nem sempre é disponível, sendo o diagnóstico clínico-epidemiológico importante para definição e início rápido de tratamento. Dentre as opções de tratamento estão a imunoglobulina, corticosteróides e plasmaférese. A recuperação plaquetária pode ocorrer espontaneamente em cerca de 20 dias, porém, o risco de sangramentos fatais impõe manejo rápido. Embora a recorrência seja rara, precauções devem ser tomadas em caso de transfusões futuras. Conclusão: A púrpura pós-transfusional é uma reação rara, porém grave que deve ser rapidamente identificada e manejada dado o seu potencial fatal. O hematologista necessita reconhecer sua apresentação clássica para suspeitar e agir precisamente. Devido à raridade, o relato de casos contribuem para formar o conhecimento a respeito dessa importante entidade hematológica.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -