DEFICIÊNCIA HEREDITÁRIA DE PROTEÍNA S POR NOVA VARIANTE NO GENE
- 1Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG, Brasil
- 2Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), Belo Horizonte, MG, Brasil
Abstract
Introdução: A deficiência de proteína S (PS) é uma trombofilia hereditária de herança autossômica dominante causada por variantes patogênicas no gene PROS1. Pacientes com deficiência de PS apresentam risco aumentado de tromboembolismo venoso (TEV) e/ou TEV recorrente. Existem mais de 400 variantes reportadas em associação com a deficiência de PS. Objetivo: Relatar o caso de uma família de 7 indivíduos com TEV atendidos em um ambulatório de trombose de um hospital público, encaminhado para investigação de trombofilia hereditária. Relato do caso: O caso índice (homem, atualmente com 69 anos) apresentou o primeiro episódio de trombose venosa profunda (TVP) em membro superior esquerdo aos 26 anos, não provocada, seguida por duas TVP recorrentes em membros inferiores. Demais testes de trombofilia foram normais. Outros membros familiares apresentaram episódios de TEV: 1) filho teve TVP em membro inferior, não provocada e AVE isquêmico ambos aos 17 anos; 2) filha com tromboses venosas superficiais recorrentes não provocadas em membro superior direito, com o primeiro evento confirmado aos 43 anos; 3) filha com TVP bilateral distal provocada (após cirurgia) aos 28 anos; 4) irmã com TVP associada a estrogenioterapia aos 34 anos; 5) sobrinha com TEP aos 39 anos provocada (após viagem prolongada); 6) neto apresentou TVP proximal aos 13 anos após vacinação para COVID-19 PS livre de 14,3% sendo o primeiro evento possivelmente associado à nenhuma outra variante patogênica de trombofilia hereditária foi identificada. Sequenciamento de nova geração identificou variante heterozigótica no PROS1 c.16delG (p.R7Afs*11), no éxon 1 do transcrito NM_000313.4. Esta variante foi encontrada em todos os familiares, exceto no 5.: Discussão: A variante c.16delG no gene PROS1 promove uma alteração de mudança do quadro de leitura por deleção de um nucleotídeo (frameshift), associada à perda de função do alelo afetado, compatível com deficiência tipo I de PS. Ausente em bases públicas (ClinVar, gnomAD), trata-se de variante nova. A segregação em cinco familiares sintomáticos e os eventos trombóticos em idade precoce reforçam a correlação genótipo-fenótipo e a provável patogenicidade desta variante segundo critérios American College of Medical Genetics and Genomics. A variante não foi encontrada na paciente no. 5, que teve um episódio de TEP provocado, apesar de extensa análise do exoma. Conclusão: Relatamos uma variante frameshift nova no éxon 1 do PROS1 (c.16delG, p.R7Afs*11), associada à deficiência de PS tipo I em família com TEV recorrente e manifestações precoces com heterogeneidade clínica. O diagnóstico molecular viabilizou a identificação da variante, reforçando a importância do sequenciamento genético na investigação de trombofilias hereditárias, especialmente em casos com história familiar sugestiva, recorrência de eventos ou apresentações atípicas. Apoio financeiro: Emenda parlamentar, FIOTEC (IRR-038-FIO-24); bolsa de pós-graduação CAPES.
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TI - DEFICIÊNCIA HEREDITÁRIA DE PROTEÍNA S POR NOVA VARIANTE NO GENE
AU - Catharina Lucas SENA
AU - Yara Abrão Vasconcelos VIVAS
AU - Daniel Dias RIBEIRO
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
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DO - 10.1016/j.htct.2026.108003
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AB - Introdução: A deficiência de proteína S (PS) é uma trombofilia hereditária de herança autossômica dominante causada por variantes patogênicas no gene PROS1. Pacientes com deficiência de PS apresentam risco aumentado de tromboembolismo venoso (TEV) e/ou TEV recorrente. Existem mais de 400 variantes reportadas em associação com a deficiência de PS. Objetivo: Relatar o caso de uma família de 7 indivíduos com TEV atendidos em um ambulatório de trombose de um hospital público, encaminhado para investigação de trombofilia hereditária. Relato do caso: O caso índice (homem, atualmente com 69 anos) apresentou o primeiro episódio de trombose venosa profunda (TVP) em membro superior esquerdo aos 26 anos, não provocada, seguida por duas TVP recorrentes em membros inferiores. Demais testes de trombofilia foram normais. Outros membros familiares apresentaram episódios de TEV: 1) filho teve TVP em membro inferior, não provocada e AVE isquêmico ambos aos 17 anos; 2) filha com tromboses venosas superficiais recorrentes não provocadas em membro superior direito, com o primeiro evento confirmado aos 43 anos; 3) filha com TVP bilateral distal provocada (após cirurgia) aos 28 anos; 4) irmã com TVP associada a estrogenioterapia aos 34 anos; 5) sobrinha com TEP aos 39 anos provocada (após viagem prolongada); 6) neto apresentou TVP proximal aos 13 anos após vacinação para COVID-19 PS livre de 14,3% sendo o primeiro evento possivelmente associado à nenhuma outra variante patogênica de trombofilia hereditária foi identificada. Sequenciamento de nova geração identificou variante heterozigótica no PROS1 c.16delG (p.R7Afs*11), no éxon 1 do transcrito NM_000313.4. Esta variante foi encontrada em todos os familiares, exceto no 5.: Discussão: A variante c.16delG no gene PROS1 promove uma alteração de mudança do quadro de leitura por deleção de um nucleotídeo (frameshift), associada à perda de função do alelo afetado, compatível com deficiência tipo I de PS. Ausente em bases públicas (ClinVar, gnomAD), trata-se de variante nova. A segregação em cinco familiares sintomáticos e os eventos trombóticos em idade precoce reforçam a correlação genótipo-fenótipo e a provável patogenicidade desta variante segundo critérios American College of Medical Genetics and Genomics. A variante não foi encontrada na paciente no. 5, que teve um episódio de TEP provocado, apesar de extensa análise do exoma. Conclusão: Relatamos uma variante frameshift nova no éxon 1 do PROS1 (c.16delG, p.R7Afs*11), associada à deficiência de PS tipo I em família com TEV recorrente e manifestações precoces com heterogeneidade clínica. O diagnóstico molecular viabilizou a identificação da variante, reforçando a importância do sequenciamento genético na investigação de trombofilias hereditárias, especialmente em casos com história familiar sugestiva, recorrência de eventos ou apresentações atípicas. Apoio financeiro: Emenda parlamentar, FIOTEC (IRR-038-FIO-24); bolsa de pós-graduação CAPES.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -