PANORAMA NACIONAL E RELEVÂNCIA DO CADASTRO NACIONAL DE SANGUE RARO
- 1Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados (CGSH), Brasília, DF, Brasil
Abstract
Introdução: A identificação de fenótipos raros é um grande desafio na medicina transfusional, sendo definidos pela ausência de antígenos de alta frequência (ex: Vel-, U-, Di(b-)) ou por combinações raras de antígenos comuns. A transfusão de sangue fenotipicamente compatível é essencial para reduzir a aloimunização, cujas taxas podem chegar a mais de 50% em algumas situações, como pacientes portadores de hemoglobinopatias e síndromes mielodisplásicas. Em 2013 foi criado no Brasil o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), visando centralizar dados de doadores e facilitar o atendimento de demandas complexas para atendimento a receptores de sangue aloimunizados. Objetivos: Apresentar a atualização dos dados nacionais do CNSR referentes ao ano de 2026, discutindo a importância do cadastro para a segurança transfusional e a estruturação da hemorrede brasileira. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo baseado nos dados extraídos da última atualização do CNSR, realizada em abril de 2026 pela Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados do MS, com dados de doadores com fenótipos e/ou genótipos raros enviados por 27 hemocentros coordenadores da hemorrede pública nacional. Foram solicitados dados de doadores com fenótipos negativos para antígenos de alta frequência populacional e combinações raras de antígenos do sistema Rh. Não foram incluídos os dados de doadores com combinações raras de múltiplos antígenos comuns. Resultados: Em 2026, o CNSR contava com 1.484 doadores cadastrados. A idade média do grupo é de 41 anos e 6 meses, tendo apenas 8,4% dos doadores 25 anos ou menos, enquanto 25,4% possuem 50 anos ou mais. Nenhum doador cadastrado possuía idade menor que 18 anos. Quanto ao perfil imuno-hematológico, predomina o grupo sanguíneo O (63,3%) e RhD positivo (75,3%). Mais da metade dos fenótipos informados (51,9%) ainda requer confirmação, seja pelo doador ainda não ter retornado para repetição dos testes ou devido à indisponibilidade de testes complementares. Em 2025, o sistema demonstrou alta eficácia, localizando 64 dos 72 concentrados de hemácias (88,9%) solicitados para 37 pacientes com necessidade transfusional. Discussão: O CNSR consolidou-se como ferramenta indispensável para garantir a celeridade e segurança no atendimento de pacientes com necessidades transfusionais especiais no SUS. Contudo, os dados de 2026 revelam o desafio da sustentabilidade do cadastro, evidenciada pelo envelhecimento da base de doadores e a demanda pela realização de testes complementares para confirmação dos dados cadastrados. Perspectivas futuras incluem o aprimoramento da logística de transporte de hemocomponentes, visando maior segurança e agilidade no atendimento de urgências.
Related
- DESAFIOS ATUAIS E PERSPECTIVAS FUTURAS PARA O CADASTRO NACIONAL DE SANGUE RARO
- A RELEVÂNCIA DA ATUAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NA POLÍTICA NACIONAL DE SANGUE
- PACIENTE PEDIÁTRICO COM DOENÇA FALCIFORME E ALOIMUNIZAÇÃO POR MÚLTIPLOS ANTICORPOS: DESAFIOS TRANSFUSIONAIS E ATUAÇÃO INTEGRADA DA HEMORREDE BRASILEIRA E DO CADASTRO NACIONAL DE SANGUES RAROS – RELATO DE CASO
- SISTEMA NACIONAL DE SANGUE, COMPONENTES E HEMODERIVADOS: CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURANÇA TRANSFUSIONAL, SOBERANIA E EQUIDADE NA HEMORREDE BRASILEIRA
- SOROPREVALÊNCIA DA DOENÇA DE CHAGAS EM DOADORES DO SERVIÇO NACIONAL DE SANGUE DO URUGUAI, NO PERÍODO COMPREENDIDO ENTRE 2018 E 2025, APÓS A INTERRUPÇÃO DA TRANSMISSÃO VETORIAL
BibTeX
@article{schorner2026panorama,
title = {{PANORAMA NACIONAL E RELEVÂNCIA DO CADASTRO NACIONAL DE SANGUE RARO}},
author = {Everaldo José SCHÖRNER and Denise Menezes BRUNETTA and Priscila MURADOR and Carlos Antonio Lima DA SILVA and Bárbara De Jesus SIMõES and Reyjane Alves TEIXEIRA and Thalita Motta GAGO and Jacqueline Viana de Carvalho RUAS and Lilianne Lazzarotti REIS and Rilane Souza DA SILVA and Jakeline NUNES and Maria Luisa Beserra D'anaquim CRUZ and Luciana Maria de Barros CARLOS and Arthur Lobato Barreto MELLO},
journal = {Hematology, Transfusion and Cell Therapy},
year = {2026},
month = oct,
doi = {10.1016/j.htct.2026.107311},
url = {https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107311},
note = {CC BY},
}
RIS
TY - JOUR
TI - PANORAMA NACIONAL E RELEVÂNCIA DO CADASTRO NACIONAL DE SANGUE RARO
AU - Everaldo José SCHÖRNER
AU - Denise Menezes BRUNETTA
AU - Priscila MURADOR
AU - Carlos Antonio Lima DA SILVA
AU - Bárbara De Jesus SIMõES
AU - Reyjane Alves TEIXEIRA
AU - Thalita Motta GAGO
AU - Jacqueline Viana de Carvalho RUAS
AU - Lilianne Lazzarotti REIS
AU - Rilane Souza DA SILVA
AU - Jakeline NUNES
AU - Maria Luisa Beserra D'anaquim CRUZ
AU - Luciana Maria de Barros CARLOS
AU - Arthur Lobato Barreto MELLO
PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.107311
UR - https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107311
AB - Introdução: A identificação de fenótipos raros é um grande desafio na medicina transfusional, sendo definidos pela ausência de antígenos de alta frequência (ex: Vel-, U-, Di(b-)) ou por combinações raras de antígenos comuns. A transfusão de sangue fenotipicamente compatível é essencial para reduzir a aloimunização, cujas taxas podem chegar a mais de 50% em algumas situações, como pacientes portadores de hemoglobinopatias e síndromes mielodisplásicas. Em 2013 foi criado no Brasil o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), visando centralizar dados de doadores e facilitar o atendimento de demandas complexas para atendimento a receptores de sangue aloimunizados. Objetivos: Apresentar a atualização dos dados nacionais do CNSR referentes ao ano de 2026, discutindo a importância do cadastro para a segurança transfusional e a estruturação da hemorrede brasileira. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo baseado nos dados extraídos da última atualização do CNSR, realizada em abril de 2026 pela Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados do MS, com dados de doadores com fenótipos e/ou genótipos raros enviados por 27 hemocentros coordenadores da hemorrede pública nacional. Foram solicitados dados de doadores com fenótipos negativos para antígenos de alta frequência populacional e combinações raras de antígenos do sistema Rh. Não foram incluídos os dados de doadores com combinações raras de múltiplos antígenos comuns. Resultados: Em 2026, o CNSR contava com 1.484 doadores cadastrados. A idade média do grupo é de 41 anos e 6 meses, tendo apenas 8,4% dos doadores 25 anos ou menos, enquanto 25,4% possuem 50 anos ou mais. Nenhum doador cadastrado possuía idade menor que 18 anos. Quanto ao perfil imuno-hematológico, predomina o grupo sanguíneo O (63,3%) e RhD positivo (75,3%). Mais da metade dos fenótipos informados (51,9%) ainda requer confirmação, seja pelo doador ainda não ter retornado para repetição dos testes ou devido à indisponibilidade de testes complementares. Em 2025, o sistema demonstrou alta eficácia, localizando 64 dos 72 concentrados de hemácias (88,9%) solicitados para 37 pacientes com necessidade transfusional. Discussão: O CNSR consolidou-se como ferramenta indispensável para garantir a celeridade e segurança no atendimento de pacientes com necessidades transfusionais especiais no SUS. Contudo, os dados de 2026 revelam o desafio da sustentabilidade do cadastro, evidenciada pelo envelhecimento da base de doadores e a demanda pela realização de testes complementares para confirmação dos dados cadastrados. Perspectivas futuras incluem o aprimoramento da logística de transporte de hemocomponentes, visando maior segurança e agilidade no atendimento de urgências.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -