LINFOMA DE BURKITT COM APRESENTAÇÃO ATÍPICA EM ADOLESCENTE: O PAPEL DECISIVO DO LÍQUIDO PLEURAL NO DIAGNÓSTICO
- 1Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP, Brasil
- 2Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC), Instituto de Oncologia Pediátrica (IOP), São Paulo, SP, Brasil
Abstract
Paciente feminina, 17 anos, previamente hígida, foi admitida em um hospital universitário com queixa de dor mandibular à direita há um mês, acompanhada de parestesia facial ipsilateral, dorsalgia leve e oftalmoparesia dolorosa (acometimento do III par craniano) de início no dia da admissão. Os exames laboratoriais admissionais evidenciaram hipercalcemia PTH-independente e anemia leve. A avaliação por tomografia computadorizada revelou lesões expansivas e osteolíticas em maxila bilateral (até 1,9 cm), massas paravertebrais em T1 e T6 (até 1,8 cm) e lesão extra-axial em fossa média à direita (0,8 cm). Notavelmente, tratava-se de uma apresentação atípica com ausência total de adenomegalias periféricas ou profundas, mas acompanhada de derrame pleural moderado à direita. A análise do líquido pleural mostrou-se o ponto decisivo para a elucidação do caso: a citologia e a imunofenotipagem demonstraram células grandes, com baixa relação núcleo/citoplasma, com basofilia acentuada e vacuolizadas positivas para CD19, CD20, CD10 e CD38. Adicionalmente, realizou-se biópsia de pleura, cujo exame imuno-histoquímico revelou positividade para TdT e índice de proliferação celular Ki-67 > 90%, sendo negativo para CD34 e CD99, confirmando o diagnóstico de Linfoma de Burkitt. No sexto dia de internação, a paciente evoluiu com rápida leucemização (leucócitos: 42.000/mm³; 44% de linfócitos anômalos) e síndrome de lise tumoral espontânea grave associada a choque misto e insuficiência respiratória, necessitando de hemodiálise contínua, suporte vasoativo, intubação orotraqueal e terapia de debulking com dexametasona. Após a estabilização inicial, foi introduzido o protocolo quimioterápico LNH 2016 - Alto risco, e a paciente evoluiu favoravelmente, atingindo resposta completa ao final do tratamento. O caso destaca a análise do líquido pleural como ferramenta decisiva para o diagnóstico de Linfoma de Burkitt frente à apresentações atípicas. A evolução com rápida leucemização e lise tumoral espontânea reflete a alta taxa proliferativa, reforçando a necessidade de diagnóstico precoce.
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TI - LINFOMA DE BURKITT COM APRESENTAÇÃO ATÍPICA EM ADOLESCENTE: O PAPEL DECISIVO DO LÍQUIDO PLEURAL NO DIAGNÓSTICO
AU - Luize Meloti FIORIO
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
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AB - Paciente feminina, 17 anos, previamente hígida, foi admitida em um hospital universitário com queixa de dor mandibular à direita há um mês, acompanhada de parestesia facial ipsilateral, dorsalgia leve e oftalmoparesia dolorosa (acometimento do III par craniano) de início no dia da admissão. Os exames laboratoriais admissionais evidenciaram hipercalcemia PTH-independente e anemia leve. A avaliação por tomografia computadorizada revelou lesões expansivas e osteolíticas em maxila bilateral (até 1,9 cm), massas paravertebrais em T1 e T6 (até 1,8 cm) e lesão extra-axial em fossa média à direita (0,8 cm). Notavelmente, tratava-se de uma apresentação atípica com ausência total de adenomegalias periféricas ou profundas, mas acompanhada de derrame pleural moderado à direita. A análise do líquido pleural mostrou-se o ponto decisivo para a elucidação do caso: a citologia e a imunofenotipagem demonstraram células grandes, com baixa relação núcleo/citoplasma, com basofilia acentuada e vacuolizadas positivas para CD19, CD20, CD10 e CD38. Adicionalmente, realizou-se biópsia de pleura, cujo exame imuno-histoquímico revelou positividade para TdT e índice de proliferação celular Ki-67 > 90%, sendo negativo para CD34 e CD99, confirmando o diagnóstico de Linfoma de Burkitt. No sexto dia de internação, a paciente evoluiu com rápida leucemização (leucócitos: 42.000/mm³; 44% de linfócitos anômalos) e síndrome de lise tumoral espontânea grave associada a choque misto e insuficiência respiratória, necessitando de hemodiálise contínua, suporte vasoativo, intubação orotraqueal e terapia de debulking com dexametasona. Após a estabilização inicial, foi introduzido o protocolo quimioterápico LNH 2016 - Alto risco, e a paciente evoluiu favoravelmente, atingindo resposta completa ao final do tratamento. O caso destaca a análise do líquido pleural como ferramenta decisiva para o diagnóstico de Linfoma de Burkitt frente à apresentações atípicas. A evolução com rápida leucemização e lise tumoral espontânea reflete a alta taxa proliferativa, reforçando a necessidade de diagnóstico precoce.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -