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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

ANEMIA GRAVE EM PACIENTE COM PARVOVIROSE AGUDA E PORTADOR DE INFECÇÃO CRÔNICA PELO VÍRUS HTLV-1: UM RELATO DE CASO

  1. 1Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Abstract

Introdução: O vírus linfotrópico de células T humanas tipo 1 (HTLV-1) é um retrovírus endêmico no Brasil que altera a regulação da resposta imune celular. Embora as anemias em portadores de HTLV-1 sejam frequentemente atribuídas à mielofibrose/infiltração por leucemia/linfoma de células T do adulto (ATLL) ou à anemia de doença crônica induzida por estado pró-inflamatório, a coinfecção por patógenos mielotrópicos também pode acontecer. O Parvovírus B19 invade seletivamente os progenitores eritroides via antígeno P, induzindo lise e apoptose celular. Em indivíduos com desregulação imune prévia, a infecção aguda por Parvovírus B19 pode desencadear Aplasia Pura de Células Vermelhas (APCV), emergência hematológica caracterizada por anemia normocítica severa de instalação rápida e reticulocitopenia acentuada. O diagnóstico diferencial nesses casos costuma ser bastante enriquecedor, podendo haver inclusive múltiplas causas para a anemia apresentada, contribuindo muitas vezes para quadros de anemia mais graves. Descrição do Caso: O caso relatado é de paciente do sexo masculino, 29 anos, portador de infecção crônica pelo HTLV-1 e história familiar de infecção pelo vírus HTLV-1 em parentes de primeiro grau, irmãos e mãe, esta última falecida em decrorrência da Leucemia / Linfoma de células T do Adulto (ATLL). O paciente deu entrada em serviço hospitalar com pródromo de sintomas gripais e diarreia, sob suspeita inicial de hepatite A. Durante a internação, evoluiu com queda acentuada e progressiva dos níveis de hemoglobina, reduzindo de 12,2 g/dL na admissão para 5,1 g/dL em 5 dias (hematócrito de 15,2%), configurando anemia grave normocítica e normocrômica (VCM 96,2 e HCM 32,3) e necessitou de transfusão de concentrados de hemácias durante a internaçao. A avaliação hematológica evidenciou reticulocitopenia sem outras alterações em hemograma, caracterizando o quadro de APCV. A investigação etiológica confirmou infecção recente pelo Parvovírus B19 mediante sorologia para anticorpos anti-Parvovírus B19 IgM e IgG reagentes, com títulos crescentes de IgG após alguns meses. O paciente recebeu hemotransfusão de suporte, evoluindo com rápida melhora sintomática, elevação progressiva da hemoglobina e recuperação da eritropoiese. Houve suspeita de ATLL não confirmada, devido à melhora do quadro do paciente e não houve necessidade de outros exames complementares para avaliação da celularidade da medula óssea. Conclusão: A coinfecção por Parvovírus B19 deve ser incluída no diagnóstico diferencial de citopenias graves e de instalação abrupta em pacientes infectados pelo HTLV-1. Em alguns casos, pode ocorrer evolução para cronicidade, com instalação de síndrome de falência medular, inclusive com necessidade de utilização de imunossupressores e de transplante de células tronco hematopoiéticas. A evolução favorável do paciente permitiu caracterizar o quadro como agudo, sem necessidade de outras medidas diagnósticos e terapêuticas adicionais. Este relato de caso mostra a importância do reconhecimento precoce da APCV para evitar condutas inadequadas e aplicar o manejo direcionado. Este caso destaca a interação entre a imunodesregulação crônica do HTLV-1 e a lise seletiva eritroide do Parvovírus B19, contribuindo com a literatura científica sobre emergências hematológicas infecciosas nessa população.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -