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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

SUSPEITA DE ANOMALIA DE PELGER-HUËT MIMETIZANDO DESVIO À ESQUERDA MASSIVO EM PACIENTE COM INFECÇÃO DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL E HEPATOPATIA: RELATO DE CASO

  1. 1Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais, Ponta Grossa, PR, Brasil
  2. 2Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Ponta Grossa, PR, Brasil

Abstract

Introdução: A anomalia de Pelger-Huët (APH) é uma alteração morfológica hereditária rara e benigna, caracterizada pela hipossegmentação dos neutrófilos decorrente de mutação no gene LBR. Diferencia-se da pseudo-Pelger-Huët, forma adquirida associada a doenças hematológicas e outras condições secundárias. Em pacientes críticos, essas células podem ser confundidas com bastonetes, simulando desvio à esquerda acentuado e comprometendo a interpretação da gravidade do quadro infeccioso. Objetivo: Relatar um caso sugestivo de APH ou pseudo-Pelger-Huët em paciente crítico, enfatizando o diagnóstico diferencial e a relevância da revisão microscópica do esfregaço sanguíneo. Relato do Caso: Paciente masculino, 52 anos com histórico de etilismo crônico e hepatopatia alcoólica (Child-Pugh B), foi admitido por hemorragia digestiva alta associada à plaquetopenia (15.000/mm 3 ) e anemia (Hb 9 g/dL). O hemograma da origem apontava marcante suposto desvio à esquerda (60% de bastonetes). Durante a internação, o paciente evoluiu com febre e déficit motor, sendo diagnosticado com espondilodiscite cervical e abscesso epidural, manejado cirurgicamente, seguido de quadro de meningite por contiguidade. Diante do quadro infeccioso grave, seria esperado um surgimento progressivo de formas mais imaturas (metamielócitos e mielócitos). A ausência dessas formas e a discrepância com os laudos prévios motivaram a revisão microscópica do esfregaço sanguíneo. À microscopia, observou-se a cromatina das células classificadas previamente como bastonetes, algumas apresentavam-se frouxas nas formas justapostas e outras com cromatina densa e condensada, bem característica de Pelger-Huët. A presença de núcleos hipossegmentados e lóbulos excessivamente justapostos sem visualização evidente do filamento de cromatina mimetizava a silhueta de bastonetes. As características morfológicas foram consideradas altamente sugestivas de APH ou pseudo-anomalia de Pelger-Huët, afastando a suspeita inicial de um desvio à esquerda extremo ou de evolução para síndrome mielodisplásica. Discussão: A APH representa um desafio morfológico, especialmente em quadros infecciosos, nos quais o desvio à esquerda é esperado. A sobreposição dos lóbulos pode induzir ao erro em analisadores automatizados e microscopias rápidas. Nesse caso, a identificação da morfologia nuclear pelo analista foi fundamental para diferenciar um desvio reacional de uma APH ou pseudo-Pelger-Huët. A revisão criteriosa da lâmina permanece como padrão-ouro para elucidar contagens discrepantes, evitando interpretações equivocadas. Conclusão: O caso evidencia a importância da perícia do analista clínico na avaliação morfológica. A suspeita levantada pelo laboratório permitiu reinterpretar o hemograma de origem, demonstrando que a identificação de variantes como Pelger ou pseudo-Pelger-Huët é crucial para um diagnóstico diferencial preciso.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -