DERRAME PLEURAL MIELOMATOSO NA RECIDIVA DE MIELOMA MÚLTIPLO : RELATO DE CASO
- 1Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista (HCFMB-UNESP), Botucatu, SP, Brasil
Abstract
Introdução: A doença extramedular (DEM) no mieloma múltiplo (MM) ocorre em cerca de 13% dos casos (7% ao diagnóstico; 6–20% na recidiva), com incidência crescente na era dos novos agentes. O derrame pleural mielomatoso (DPM) é ainda mais raro (menos de 1% dos casos). Relatamos uma paciente com DPM associado a plasmocitoma torácico, com resposta ao tratamento. Relato de caso: Mulher, 78 anos, com diagnóstico externo de MM IgG/Kappa em 2019, sem informações sobre o tratamento prévio, evoluiu com fraturas patológicas lombares com necessidade de artrodese, tornando-se acamada e dependente para atividades de vida diárias. Paciente avaliada em nosso serviço inicialmente por interconsulta, em internação pelas dores lombares, em que foi identificado um pico monoclonal de 1,85g e na biópsia de medula óssea apresentou 70% de plasmócitos clonais, sendo então diagnosticada recidiva da doença em setembro de 2029. Iniciado VCD na recidiva (Bortezomibe, ciclofosfamida e dexametasona) e após dois ciclos, evoluiu com dispneia progressiva associada a derrame pleural. A punção revelou exsudato, com proteína monoclonal na eletroforese do líquido e plasmócitos à citologia. Realizada tomografia que demonstrou imagem compatível com plasmocitoma em região torácica, de aproximadamente 10 cm, em íntimo contato com a pleura. Optado por substituir a ciclofosfamida por talidomida, associada à radioterapia. Evoluiu com melhora clínica, resolução total do DPM e negativação da EPS, configurando resposta completa estrita na ocasião. Paciente sem indicação de transplante de medula óssea pela idade e status clínico. Discussão: O relato traz um caso de DEM, apresentando-se com derrame pleural mielomatoso e plasmocitoma contíguo à pleura. A apresentação com DPM ao diagnóstico está associada a prognóstico reservado, com sobrevida global mediana em torno de 13 meses. Geralmente, há maior carga tumoral, com níveis elevados de β2-microglobulina. Ressalta-se que o DPM em situações de recidiva não traz diferenças de sobrevida em relação aos demais sítios extramedulares. Não há tratamento padrão para o DPM, sendo que o uso do bortezomibe pode auxiliar na reabsorção. No caso em questão, a paciente evolui com melhora clínica e com resposta completa estrita não confirmada. Ademais, o relato reforça a necessidade de investigação dirigida para o líquido pleural diante de dispneia em paciente com MM.
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RIS
TY - JOUR
TI - DERRAME PLEURAL MIELOMATOSO NA RECIDIVA DE MIELOMA MÚLTIPLO : RELATO DE CASO
AU - Gustavo Amui LOIOLA
AU - Roberta Martins TURCATTO
AU - Pedro Gimenes GRANDIN
AU - Giovanni PEDRONI
AU - Isabela Andrade RIBEIRO
AU - Caio Hajime OGAWA
AU - Ligia NIERO
AU - Rodrigo Otero COELHO
AU - Thomás De Souza Patto MARCONDES
AU - Lucas Oliveira CANTADORI
PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.107859
UR - https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107859
AB - Introdução: A doença extramedular (DEM) no mieloma múltiplo (MM) ocorre em cerca de 13% dos casos (7% ao diagnóstico; 6–20% na recidiva), com incidência crescente na era dos novos agentes. O derrame pleural mielomatoso (DPM) é ainda mais raro (menos de 1% dos casos). Relatamos uma paciente com DPM associado a plasmocitoma torácico, com resposta ao tratamento. Relato de caso: Mulher, 78 anos, com diagnóstico externo de MM IgG/Kappa em 2019, sem informações sobre o tratamento prévio, evoluiu com fraturas patológicas lombares com necessidade de artrodese, tornando-se acamada e dependente para atividades de vida diárias. Paciente avaliada em nosso serviço inicialmente por interconsulta, em internação pelas dores lombares, em que foi identificado um pico monoclonal de 1,85g e na biópsia de medula óssea apresentou 70% de plasmócitos clonais, sendo então diagnosticada recidiva da doença em setembro de 2029. Iniciado VCD na recidiva (Bortezomibe, ciclofosfamida e dexametasona) e após dois ciclos, evoluiu com dispneia progressiva associada a derrame pleural. A punção revelou exsudato, com proteína monoclonal na eletroforese do líquido e plasmócitos à citologia. Realizada tomografia que demonstrou imagem compatível com plasmocitoma em região torácica, de aproximadamente 10 cm, em íntimo contato com a pleura. Optado por substituir a ciclofosfamida por talidomida, associada à radioterapia. Evoluiu com melhora clínica, resolução total do DPM e negativação da EPS, configurando resposta completa estrita na ocasião. Paciente sem indicação de transplante de medula óssea pela idade e status clínico. Discussão: O relato traz um caso de DEM, apresentando-se com derrame pleural mielomatoso e plasmocitoma contíguo à pleura. A apresentação com DPM ao diagnóstico está associada a prognóstico reservado, com sobrevida global mediana em torno de 13 meses. Geralmente, há maior carga tumoral, com níveis elevados de β2-microglobulina. Ressalta-se que o DPM em situações de recidiva não traz diferenças de sobrevida em relação aos demais sítios extramedulares. Não há tratamento padrão para o DPM, sendo que o uso do bortezomibe pode auxiliar na reabsorção. No caso em questão, a paciente evolui com melhora clínica e com resposta completa estrita não confirmada. Ademais, o relato reforça a necessidade de investigação dirigida para o líquido pleural diante de dispneia em paciente com MM.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -