DIAGNÓSTICO TARDIO DE NEOPLASIA LINFOPROLIFERATIVA B MADURA COM PERFIL SUGESTIVO DE LINFOMA DE CÉLULAS DO MANTO, MASCARADA POR TUBERCULOSE PULMONAR CONCOMITANTE: RELATO DE CASO
- 1IDOMED, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Abstract
Introdução: O linfoma de células do manto é neoplasia linfoide B madura de comportamento geralmente agressivo, cujo diagnóstico definitivo depende de confirmação anatomopatológica com pesquisa de ciclina D1 ou da translocação t(11;14) por FISH. Achados laboratoriais inespecíficos, somados a comorbidades infecciosas concomitantes, podem retardar significativamente essa investigação. Relatamos um caso de diagnóstico tardio de neoplasia linfoproliferativa B madura com perfil sugestivo de linfoma de células do manto, mascarado por tuberculose pulmonar concomitante. Relato de caso: Paciente masculino, 60 anos, previamente hígido, iniciou em setembro de 2025 perda ponderal de 30 kg em quatro meses, associada a astenia. Tomografia evidenciou esplenomegalia volumosa (30 cm), sem linfonodomegalias. Hemograma da mesma época já mostrava leucocitose (26.800/µL) com linfocitose absoluta marcante (85%) e plaquetopenia (67.000/µL); ainda assim, recebeu alta da emergência com encaminhamento ambulatorial, sob hipótese de leucocitose reacional, sem investigação hematológica imediata. Em novembro de 2025, diagnosticou-se tuberculose pulmonar (baciloscopia positiva), com início de esquema RIPE, postergando a investigação da alteração hematológica de base, apesar da persistência de linfocitose (>80%) e anemia progressiva. Após múltiplas idas a serviços de urgência sem elucidação diagnóstica, o paciente buscou, por conta própria, avaliação hematológica especializada em consulta particular, iniciando acompanhamento semanal. Sorologias virais, HTLV e ANCA foram negativos. Citometria de fluxo (março/2026) mostrou CD20 em 87% da população linfocitária. Diante de anemia sintomática grave (Hb 5,5 g/dL) e esplenomegalia mantida, foi encaminhado à emergência hematológica de hospital terciário. Imunofenotipagem por citometria de fluxo de oito cores (maio/2026) identificou população B clonal madura (84,1% dos eventos; ∼18.132/µL) expressando CD19, CD20, CD79b, IgM, IgD, CD5 parcial e restrição de cadeia leve lambda, com CD23 e CD200 negativos, perfil compatível com neoplasia de células B maduras, com hipótese diagnóstica de linfoma de células do manto. Biópsia com pesquisa de ciclina D1 ou FISH para t(11;14) não foi realizada até o momento, mantendo o diagnóstico como presuntivo. Discussão: O caso ilustra como a linfocitose absoluta persistente, mesmo diante de comorbidades infecciosas concomitantes, deve suscitar investigação hematológica precoce, sobretudo associada a esplenomegalia e perda ponderal, sinais de alarme por vezes subestimados na urgência. A tuberculose, embora explicasse parte do quadro consumptivo, não justificava a linfocitose acentuada. O atraso na referência ao especialista expôs o paciente a risco de complicações evitáveis. Notavelmente, mesmo após meses de investigação e perfil imunofenotípico fortemente sugestivo de linfoma de células do manto, a confirmação anatomopatológica definitiva ainda não foi realizada, evidenciando como barreiras de acesso comprometem também as etapas finais do diagnóstico. Conclusão: O caso reforça a importância de manter elevado índice de suspeição para doenças linfoproliferativas diante de linfocitose absoluta persistente associada a esplenomegalia, mesmo havendo diagnósticos concomitantes que confundam o quadro, e de assegurar a conclusão da investigação diagnóstica, incluindo confirmação anatomopatológica, para definição terapêutica oportuna.
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AU - Sabrina MAGALHÃES BASTOS DA SILVA
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PY - 2026
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DO - 10.1016/j.htct.2026.107748
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AB - Introdução: O linfoma de células do manto é neoplasia linfoide B madura de comportamento geralmente agressivo, cujo diagnóstico definitivo depende de confirmação anatomopatológica com pesquisa de ciclina D1 ou da translocação t(11;14) por FISH. Achados laboratoriais inespecíficos, somados a comorbidades infecciosas concomitantes, podem retardar significativamente essa investigação. Relatamos um caso de diagnóstico tardio de neoplasia linfoproliferativa B madura com perfil sugestivo de linfoma de células do manto, mascarado por tuberculose pulmonar concomitante. Relato de caso: Paciente masculino, 60 anos, previamente hígido, iniciou em setembro de 2025 perda ponderal de 30 kg em quatro meses, associada a astenia. Tomografia evidenciou esplenomegalia volumosa (30 cm), sem linfonodomegalias. Hemograma da mesma época já mostrava leucocitose (26.800/µL) com linfocitose absoluta marcante (85%) e plaquetopenia (67.000/µL); ainda assim, recebeu alta da emergência com encaminhamento ambulatorial, sob hipótese de leucocitose reacional, sem investigação hematológica imediata. Em novembro de 2025, diagnosticou-se tuberculose pulmonar (baciloscopia positiva), com início de esquema RIPE, postergando a investigação da alteração hematológica de base, apesar da persistência de linfocitose (>80%) e anemia progressiva. Após múltiplas idas a serviços de urgência sem elucidação diagnóstica, o paciente buscou, por conta própria, avaliação hematológica especializada em consulta particular, iniciando acompanhamento semanal. Sorologias virais, HTLV e ANCA foram negativos. Citometria de fluxo (março/2026) mostrou CD20 em 87% da população linfocitária. Diante de anemia sintomática grave (Hb 5,5 g/dL) e esplenomegalia mantida, foi encaminhado à emergência hematológica de hospital terciário. Imunofenotipagem por citometria de fluxo de oito cores (maio/2026) identificou população B clonal madura (84,1% dos eventos; ∼18.132/µL) expressando CD19, CD20, CD79b, IgM, IgD, CD5 parcial e restrição de cadeia leve lambda, com CD23 e CD200 negativos, perfil compatível com neoplasia de células B maduras, com hipótese diagnóstica de linfoma de células do manto. Biópsia com pesquisa de ciclina D1 ou FISH para t(11;14) não foi realizada até o momento, mantendo o diagnóstico como presuntivo. Discussão: O caso ilustra como a linfocitose absoluta persistente, mesmo diante de comorbidades infecciosas concomitantes, deve suscitar investigação hematológica precoce, sobretudo associada a esplenomegalia e perda ponderal, sinais de alarme por vezes subestimados na urgência. A tuberculose, embora explicasse parte do quadro consumptivo, não justificava a linfocitose acentuada. O atraso na referência ao especialista expôs o paciente a risco de complicações evitáveis. Notavelmente, mesmo após meses de investigação e perfil imunofenotípico fortemente sugestivo de linfoma de células do manto, a confirmação anatomopatológica definitiva ainda não foi realizada, evidenciando como barreiras de acesso comprometem também as etapas finais do diagnóstico. Conclusão: O caso reforça a importância de manter elevado índice de suspeição para doenças linfoproliferativas diante de linfocitose absoluta persistente associada a esplenomegalia, mesmo havendo diagnósticos concomitantes que confundam o quadro, e de assegurar a conclusão da investigação diagnóstica, incluindo confirmação anatomopatológica, para definição terapêutica oportuna.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -