RARA ASSOCIAÇÃO ENTRE CLONE HPN E NEOPLASIA MIELOPROLIFERATIVA CRÔNICA: RELATO DE DOIS CASOS
- 1HCFMUSP, São Paulo, SP, Brasil
Abstract
Introdução: A hemoglobinúria paroxística noturna (HPN) é uma doença rara associada à mutação adquirida do gene da PIG-A. Quando em clones elevados se associa com hemólise intravascular e eventos trombóticos. A presença de pequenos clones HPN são tradicionalmente associados com a Anemia Aplástica (AA). Porém, também é possível sua visualização em pequenos percentuais em outras condições hematológicas como as neoplasias mieloides. Quando presente, há maior dificuldade para o manejo das citopenias e preocupação quanto ao risco trombótico agregado. A seguir, descrevemos o relato de dois casos. Relato de caso: Homem, 56 anos, queixa de sintomas constitucionais, esplenomegalia e citopenias. Em avaliação laboratorial, viu-se pancitopenia, DHL 1193 U/L e presença de mutação da CALR tipo 1. Na avaliação medular, viu-se medula óssea hipercelular, com mielofibrose MF-3 e dismegacariopoese. Dessa maneira, o diagnóstico final foi síndrome mielodisplásica/ neoplasia mieloproliferativa crônica inclassificável (SMD/NMPi). Devido à reticulocitose, consumo de haptoglobina e teste da antiglobulina direta (TAD) negativo foi solicitado a pesquisa de clone HPN com positividade em granulócitos de 66,7%. Interpretado anemia desproporcional ao contexto de mielofibrose e, dessa maneira, optado pelo início de Eculizumabe. Atualmente está em ajuste da medicação. O segundo caso tratava-se de homem, 58 anos, queixa de sintomas constitucionais, hepatoesplenomegalia e investigação de longa data de anemia de alta demanda transfusional. Ao diagnóstico apresentava-se pancitopenia e DHL de 298 U/L. A avaliação medular, mostrava-se intensamente hipocelular e mielofibrose MF-3. Mutações driver negativas. Interpretação inicial de AA com tentativa frustrada de tratamento com Ciclosporina e Eltrombopag. O clone HPN mostrou positividade de 88% em granulócitos. Por ausência de resposta, houve revisão do caso e nova avaliação medular com inclusão de painel mieloide, cujo resultado evidenciou mutação em U2AF1. Dessa maneira, retificou-se o diagnóstico final para SMD/NPMi. Devido à provas de hemólise consistentemente negativas, interpretou-se o clone HPN com predomínio de clone tipo II e optado por prosseguir avaliação para transplante de medula óssea. Em atual busca de doadores. Discussão: No contexto das neoplasias mieloides, a descrição da presença de clone HPN é melhor descrita nas SMD. Nessas, é possível seu encontro em 2 a 5% dos casos e é, de particular interesse, para auxílio na distinção entre SMD hipoplásica e AA. Referente às NMP há pouca descrição em literatura. Gutwein e colaboradores em estudo transversal com 98 pacientes com NMP philadelphia negativa viu-se prevalência de 2%. A suspeição clínica nos casos descritos é heterogênea, em geral sugere-se sua pesquisa na presença de anemia desproporcional, em especial com hemólise não imune e eventos trombóticos a despeito de citorredução adequada. Importante a menção da dificuldade para a sua desconfiança devido à sobreposição clínica e laboratorial com o contexto de NMP. Por fim, referente ao manejo clínico não há padronização na literatura dada a escassez de informações. Há relato de caso do sucesso do uso de terapia anti complemento (Eculizumab) nesta situação. Conclusão: A ciência desta associação incomum é de particular interesse para o seu correto manejo a fim de otimização da terapia para anemia e mitigar a recorrência de manifestações trombóticas a despeito de terapia otimizada para NMP.
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.107532
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SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -