IMPORTÂNCIA DO ESTUDO FAMILIAR E DO DIAGNÓSTICO MOLECULAR NA CARACTERIZAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO ENTRE HB C, HB G-PHILADELPHIA E ALFA-TALASSEMIA: RELATO DE CASO
5 affiliations
- 1Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), São José do Rio Preto SP, Brasil
- 2Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Três Lagoas, MS, Brasil
- 3Universidade Estadual Paulista (UNESP), São José do Rio Preto, SP, Brasil
- 4Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Salvador, BA, Brasil
- 5Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), Salvador, BA, Brasil
Abstract
Introdução: As hemoglobinas (Hb) variantes constituem um grupo heterogêneo de hemoglobinopatias que podem ocorrer isoladamente ou em associação com talassemias, resultando em perfis laboratoriais complexos e de difícil interpretação. Dessa forma, a integração entre estudo familiar, metodologias laboratoriais complementares e análises moleculares é fundamental para o correto esclarecimento diagnóstico. Objetivo: Relatar um caso brasileiro de interação entre Hb C, Hb G-Philadelphia (G-Phil) e deleção -α³·⁷, destacando a importância do estudo familiar e do diagnóstico molecular na caracterização de um perfil hemoglobínico complexo. Material e Métodos: Foram enviadas ao Laboratório de Genética e Biologia Molecular amostras de sangue total de uma família (probando de 9 anos, pai de 36 anos e mãe de 41 anos), procedente da APAE Salvador/BA, cujo probando apresentava perfil de Hb inconclusivo na triagem neonatal. O diagnóstico laboratorial compreendeu análises hematológicas, cromatográficas (Premier Resolution, Trinity Biotech) e moleculares (PCR-RE, GAP-PCR e sequenciamento de Sanger). Resultados: O probando apresentou Hb 13,2 g/dL, VCM 73,1 fL, HCM 24,1 pg, RDW 15,4%, ferritina 116 ng/mL e reticulócitos 1,07%, caracterizando microcitose e hipocromia sem anemia. À análise cromatográfica, o probando demonstrou Hb A (38,2%), Hb α-variante coeluindo com a Hb A2 (23,1%), Hb C (21,2%) e fração híbrida (12,7%). O pai apresentou Hb A (64,3%) e Hb α-variante coeluindo com a Hb A2 (35,7%), enquanto a mãe exibiu Hb A (54,8%), Hb C (32,5%) e Hb A2 (2,4%). A análise molecular confirmou no probando a presença, em heterozigose, das mutações HBB:c.19G>A (Hb C), HBA1:c.207C>A (Hb G-Phil) e da deleção -α³·⁷. O pai revelou-se heterozigoto tanto para Hb G-Phil quanto para a deleção -α³·⁷, e a mãe foi confirmada como heterozigota para a Hb C. Discussão: A Hb G-Phil é a Hb α-variante mais frequente e comumente associada à deleção -α³·⁷. Essa interação resulta em concentrações mais elevada da Hb variante quando comparada com casos sem coerança de α-talassemia. No probando, além de observarmos esse comportamento, a microcitose e a hipocromia estiveram presentes devido ao alelo α talassêmico. A Hb G-Phil, quando herdada com Hb beta-variantes, como a Hb C, gera um rearranjo molecular em que cadeias globínicas mutantes formam frações híbridas que podem ser observadas no HPLC e confundidas com outras Hb variantes. Esse fenômeno justifica a aparente redução proporcional da concentração isolada de Hb C (diminuída para 20,3% no probando, em comparação aos 32,5% da mãe). O estudo familiar foi determinante para demonstrar a transmissão paterna da Hb G-Phil/α-talassemia e materna da Hb C, permitindo a correta interpretação do perfil hemoglobínico do probando. Casos envolvendo associações entre variantes estruturais e talassemia representam um importante desafio diagnóstico e evidenciam a necessidade de utilizar metodologias complementares, especialmente a biologia molecular, para a caracterização precisa dessas interações. Conclusão: A associação entre Hb C, Hb G-Phil e deleção -α³·⁷ evidencia a importância da integração entre HPLC, estudo familiar e diagnóstico molecular na caracterização de perfis hemoglobínicos complexos. O esclarecimento diagnóstico permitiu diferenciar o caso de outras hemoglobinopatias estruturalmente semelhantes, evitando interpretações equivocadas e contribuindo para o aconselhamento genético adequado e para o seguimento clínico da família.
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SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -