MIELOMA MÚLTIPLO NÃO SECRETOR: RELATO DE CASO
- 1Faculdade de Medicina de Campos, Campos dos Goytacazes, RJ, Brasil
Abstract
Introdução: O mieloma múltiplo não secretor corresponde a 1%–3% dos casos. Nessa apresentação, eletroforese e imunofixação séricas e urinárias podem permanecer negativas mesmo com doença plasmocitária ativa. O diagnóstico exige plasmócitos clonais na medula óssea, ou plasmocitoma biopsiado, associados a evento definidor de mieloma, tornando sua confirmação mais complexa e tardia. Objetivo: Relatar um caso de mieloma múltiplo não secretor, enfatizando desafios diagnósticos diante da ausência de componente monoclonal e das limitações da avaliação medular inicial, além da importância do diagnóstico para o tratamento e monitoramento. Relato de caso: Homem, 68 anos, previamente hígido, apresentou dor progressiva em gradil costal, dorso e ombros por dois meses, associada à perda de 12 kg em um mês. O hemograma revelou pancitopenia: hemoglobina 9,7 g/dL (VR: 13–17), leucócitos 2.840/mm³ (VR: 4.000–11.000) e plaquetas 71.000/mm³ (VR: 150.000–450.000), sugerindo comprometimento medular. A tomografia evidenciou múltiplas lesões osteolíticas em vértebras, bacia, arcos costais, esterno e escápulas, além de fratura patológica costal, reforçando hipótese de mieloma múltiplo. Considerando a síndrome consumptiva e o diagnóstico diferencial com implantes secundários, tomografias de tórax, abdome e pelve, endoscopia digestiva alta e colonoscopia não identificaram neoplasia primária. Diante da associação entre pancitopenia e doença osteolítica extensa, foram solicitadas eletroforese e imunofixação de proteínas séricas e urinárias, negativas para componente monoclonal, além das cadeias leves livres, cuja relação sérica kappa/lambda foi 1,14. Apesar desses achados, a investigação prosseguiu pela elevada suspeição clínica. O mielograma foi inconclusivo por hemodiluição e coagulação. A biópsia demonstrou extenso predomínio de células plasmocitárias nas áreas avaliáveis e fibrose MF-2. A imunofenotipagem evidenciou discrasia plasmocitária sugestiva de mieloma múltiplo. A integração dos achados estabeleceu o diagnóstico e permitiu iniciar tratamento com bortezomibe, talidomida e dexametasona. Conclusão: A ausência de componente monoclonal não exclui mieloma múltiplo. Diante de suspeição persistente, a investigação medular deve prosseguir, possibilitando tratamento oportuno, redução de complicações e planejamento do seguimento clínico.
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RIS
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
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AB - Introdução: O mieloma múltiplo não secretor corresponde a 1%–3% dos casos. Nessa apresentação, eletroforese e imunofixação séricas e urinárias podem permanecer negativas mesmo com doença plasmocitária ativa. O diagnóstico exige plasmócitos clonais na medula óssea, ou plasmocitoma biopsiado, associados a evento definidor de mieloma, tornando sua confirmação mais complexa e tardia. Objetivo: Relatar um caso de mieloma múltiplo não secretor, enfatizando desafios diagnósticos diante da ausência de componente monoclonal e das limitações da avaliação medular inicial, além da importância do diagnóstico para o tratamento e monitoramento. Relato de caso: Homem, 68 anos, previamente hígido, apresentou dor progressiva em gradil costal, dorso e ombros por dois meses, associada à perda de 12 kg em um mês. O hemograma revelou pancitopenia: hemoglobina 9,7 g/dL (VR: 13–17), leucócitos 2.840/mm³ (VR: 4.000–11.000) e plaquetas 71.000/mm³ (VR: 150.000–450.000), sugerindo comprometimento medular. A tomografia evidenciou múltiplas lesões osteolíticas em vértebras, bacia, arcos costais, esterno e escápulas, além de fratura patológica costal, reforçando hipótese de mieloma múltiplo. Considerando a síndrome consumptiva e o diagnóstico diferencial com implantes secundários, tomografias de tórax, abdome e pelve, endoscopia digestiva alta e colonoscopia não identificaram neoplasia primária. Diante da associação entre pancitopenia e doença osteolítica extensa, foram solicitadas eletroforese e imunofixação de proteínas séricas e urinárias, negativas para componente monoclonal, além das cadeias leves livres, cuja relação sérica kappa/lambda foi 1,14. Apesar desses achados, a investigação prosseguiu pela elevada suspeição clínica. O mielograma foi inconclusivo por hemodiluição e coagulação. A biópsia demonstrou extenso predomínio de células plasmocitárias nas áreas avaliáveis e fibrose MF-2. A imunofenotipagem evidenciou discrasia plasmocitária sugestiva de mieloma múltiplo. A integração dos achados estabeleceu o diagnóstico e permitiu iniciar tratamento com bortezomibe, talidomida e dexametasona. Conclusão: A ausência de componente monoclonal não exclui mieloma múltiplo. Diante de suspeição persistente, a investigação medular deve prosseguir, possibilitando tratamento oportuno, redução de complicações e planejamento do seguimento clínico.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -