PERFIS CROMATOGRÁFICOS E DESAFIOS DE DIAGNÓSTICO DE CASOS COMPLEXOS DE HEMOGLOBINAS VARIANTES EM POPULAÇÕES MISCIGENADAS
- 1Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Três Lagoas, MS, Brasil
- 2Universidade Estadual Paulista (UNESP), São José do Rio Preto, SP, Brasil
Abstract
Introdução: As hemoglobinopatias constituem um grupo de distúrbios genéticos da hemoglobina (Hb) com ampla heterogeneidade fenotípica, que variam de perfis assintomáticos a manifestações clínicas graves. Em virtude do elevado grau de miscigenação da população brasileira, a presença de Hb raras e suas interações aumentam a complexidade do diagnóstico laboratorial e da compreensão do perfil fisiopatológico dos indivíduos. Objetivo: Caracterizar casos complexos de Hb variantes para o diagnóstico preciso por meio da integração de metodologias laboratoriais e moleculares. Materiais e Métodos: Estudo analítico realizado no Laboratório de Genética e Biologia Molecular (UFMS/CPTL) com 1.200 amostras de sangue total. Envolveu análises por cromatografia líquida de alta performance (HPLC ‒ Ultra² e Premier Resolution, Trinity Biotech) e confirmação por ferramentas moleculares, como PCR-RE e sequenciamento pelo método de Sanger. Posteriormente, os resultados foram correlacionados com dados de eletroforese de proteínas (ácida e alcalina), focalização isoelétrica (IEF) e eletroforese capilar (CE), conforme a literatura, para a elaboração de um guia de apoio ao diagnóstico. Resultados: Foram registradas 15 variantes raras de Hb em heterozigose nas amostras analisadas. A Hb Sendagi e a Hb Montfermeil apresentaram tempos de retenção relativos (RRT) próximos aos da Hb A, com RRTA de 1,009 (88,4%) e 0,941 (22,3%), respectivamente. A Hb Porto Alegre, após sete dias da coleta, apresentou fração principal no RRTC de 0,951 (20,9%), além de outra fração eluindo junto à Hb A. As demais variantes identificadas foram: Hb G-Ferrara (RRT-A2: 0,985; 29,0%), Hb Hope (RRT-F: 0,997; 28,0%), Hb Rush (RRT-S: 1,016; 41,0%), Hb Santa Barnabas (RRT-A2: 0,999; 1,3%), Hb Tyne (RRT-A: 0,990; 16,6%), Hb Basking Ridge (RRT-A: 1,056; 19,3%), Hb Presbyterian (RRT-S: 1,027; 27,8%), Hb Korle-Bu (RRT-A2: 1,056; 42,7%), Hb Okayama (RRT-A: 1,080; 39,6%), Hb Chapel Hill (RRT-S: 1,018; 14,9%), Hb Diamant (RRT-F: 1,296; 27,0%) e Hb J-Rovigo (RRT-F: 1,603; 26,5%). Em todos os casos, a associação entre os perfis eletroforéticos e as metodologias moleculares foi indispensável para o diagnóstico definitivo e para a criação de um guia de apoio ao diagnóstico, consolidando todos os achados laboratoriais para as respectivas Hb. Discussão e Conclusão: Os achados evidenciam que RRTs cromatográficos próximos aos da Hb A e a sobreposição de picos entre diferentes variantes constituem um grande desafio diagnóstico. A utilização de estratégias metodológicas integradas ‒ que vão desde a caracterização eletroforética até o sequenciamento dos genes de globina ‒ é fundamental para a elucidação de casos raros. Demonstra-se, assim, a necessidade de aliar o raciocínio diagnóstico crítico a múltiplas metodologias para assegurar a correta identificação genotípica, subsidiando o manejo clínico e o aconselhamento genético.
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
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AB - Introdução: As hemoglobinopatias constituem um grupo de distúrbios genéticos da hemoglobina (Hb) com ampla heterogeneidade fenotípica, que variam de perfis assintomáticos a manifestações clínicas graves. Em virtude do elevado grau de miscigenação da população brasileira, a presença de Hb raras e suas interações aumentam a complexidade do diagnóstico laboratorial e da compreensão do perfil fisiopatológico dos indivíduos. Objetivo: Caracterizar casos complexos de Hb variantes para o diagnóstico preciso por meio da integração de metodologias laboratoriais e moleculares. Materiais e Métodos: Estudo analítico realizado no Laboratório de Genética e Biologia Molecular (UFMS/CPTL) com 1.200 amostras de sangue total. Envolveu análises por cromatografia líquida de alta performance (HPLC ‒ Ultra² e Premier Resolution, Trinity Biotech) e confirmação por ferramentas moleculares, como PCR-RE e sequenciamento pelo método de Sanger. Posteriormente, os resultados foram correlacionados com dados de eletroforese de proteínas (ácida e alcalina), focalização isoelétrica (IEF) e eletroforese capilar (CE), conforme a literatura, para a elaboração de um guia de apoio ao diagnóstico. Resultados: Foram registradas 15 variantes raras de Hb em heterozigose nas amostras analisadas. A Hb Sendagi e a Hb Montfermeil apresentaram tempos de retenção relativos (RRT) próximos aos da Hb A, com RRTA de 1,009 (88,4%) e 0,941 (22,3%), respectivamente. A Hb Porto Alegre, após sete dias da coleta, apresentou fração principal no RRTC de 0,951 (20,9%), além de outra fração eluindo junto à Hb A. As demais variantes identificadas foram: Hb G-Ferrara (RRT-A2: 0,985; 29,0%), Hb Hope (RRT-F: 0,997; 28,0%), Hb Rush (RRT-S: 1,016; 41,0%), Hb Santa Barnabas (RRT-A2: 0,999; 1,3%), Hb Tyne (RRT-A: 0,990; 16,6%), Hb Basking Ridge (RRT-A: 1,056; 19,3%), Hb Presbyterian (RRT-S: 1,027; 27,8%), Hb Korle-Bu (RRT-A2: 1,056; 42,7%), Hb Okayama (RRT-A: 1,080; 39,6%), Hb Chapel Hill (RRT-S: 1,018; 14,9%), Hb Diamant (RRT-F: 1,296; 27,0%) e Hb J-Rovigo (RRT-F: 1,603; 26,5%). Em todos os casos, a associação entre os perfis eletroforéticos e as metodologias moleculares foi indispensável para o diagnóstico definitivo e para a criação de um guia de apoio ao diagnóstico, consolidando todos os achados laboratoriais para as respectivas Hb. Discussão e Conclusão: Os achados evidenciam que RRTs cromatográficos próximos aos da Hb A e a sobreposição de picos entre diferentes variantes constituem um grande desafio diagnóstico. A utilização de estratégias metodológicas integradas ‒ que vão desde a caracterização eletroforética até o sequenciamento dos genes de globina ‒ é fundamental para a elucidação de casos raros. Demonstra-se, assim, a necessidade de aliar o raciocínio diagnóstico crítico a múltiplas metodologias para assegurar a correta identificação genotípica, subsidiando o manejo clínico e o aconselhamento genético.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
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