OSTEONECROSE EM TÓRUS PALATINO INDUZIDA POR MEDICAMENTO EM PACIENTE COM MIELOMA MÚLTIPLO: RELATO DE CASO
- 1Hospital Samaritano Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Abstract
Introdução: A osteonecrose dos maxilares induzida por medicamento é uma complicação associada ao uso de antirreabsortivos ósseos, como os bifosfonatos, empregados em doenças onco-hematológicas com acometimento ósseo, como o mieloma múltiplo, podendo ser desencadeada por trauma local em áreas de mucosa fina, como o tórus palatino. Caracteriza-se por exposição de osso necrótico na cavidade oral, de manejo desafiador. Relatamos um caso de osteonecrose em tórus palatino inicialmente suspeita de plasmocitoma, cujo diagnóstico foi definido pela avaliação odontológica e confirmado por biópsia, com boa resposta ao tratamento. Relato do Caso: Paciente do sexo feminino, negra, 56 anos, com mieloma múltiplo diagnosticado em 2019, submetida a transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas em 2020, última quimioterapia em janeiro de 2025, uso prévio de ácido zoledrônico, além de comorbidades cardiovasculares e metabólicas, incluindo insuficiência cardíaca por cardiotoxicidade associada a carfilzomibe. Foi transferida de outro serviço com queixa de dor em palato, referindo trauma local na região antes do surgimento da lesão. A avaliação médica inicial levantou suspeita de plasmocitoma, dada a história oncológica de base. Encaminhada à odontologia, na oroscopia foi observado edema e exposição óssea em tórus palatino, o que levantou a hipótese de osteonecrose maxilar induzida por medicamento, associada ao uso prévio de bifosfonato e ao trauma local relatado. Foi realizada a biópsia de tecido e osso que confirmou o diagnóstico, revelando fragmentos com osteonecrose com reabsorção periférica irregular, circundados por colônias de Actinomyces sp . Diante da confirmação diagnóstica, o manejo consistiu em remoção cirúrgica do osso necrótico, laserterapia com terapia fotodinâmica antimicrobiana e aplicação tópica de gel de clorexidina, associados a antibioticoterapia com piperacilina-tazobactam e ao protocolo com pentoxifilina 400 mg e tocoferol 400UI a cada 12 horas. Houve resolução completa da dor e cicatrização da lesão. Discussão: A osteonecrose maxilar induzida por medicamento deve constar no diagnóstico diferencial de lesões orais em pacientes com mieloma múltiplo que já fizerem uso de bifosfonatos, sobretudo em áreas de mucosa fina sobre proeminência óssea, como o tórus palatino, predispostas a exposição após trauma local. Nesse caso, a exposição óssea inicialmente levantou suspeita de plasmocitoma, sendo a avaliação odontológica determinante para o diagnóstico diferencial correto, confirmado pela biópsia. A colonização por Actinomyces sp. reforça a necessidade de terapia antimicrobiana associada ao manejo cirúrgico conservador. A abordagem integrando debridamento cirúrgico, terapia fotodinâmica antimicrobiana e protocolo com pentoxifilina e tocoferol, mostrou-se eficaz no controle da lesão. Conclusão: O caso reforça a importância da avaliação odontológica especializada no diagnóstico diferencial de lesões de boca e no manejo da osteonecrose induzida por medicamento em pacientes com mieloma múltiplo, evidenciando a importância do papel da odontologia na equipe multidisciplinar onco-hematológica.
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RIS
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TI - OSTEONECROSE EM TÓRUS PALATINO INDUZIDA POR MEDICAMENTO EM PACIENTE COM MIELOMA MÚLTIPLO: RELATO DE CASO
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AU - Julia Lamy Danan SARAIVA
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.108299
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AB - Introdução: A osteonecrose dos maxilares induzida por medicamento é uma complicação associada ao uso de antirreabsortivos ósseos, como os bifosfonatos, empregados em doenças onco-hematológicas com acometimento ósseo, como o mieloma múltiplo, podendo ser desencadeada por trauma local em áreas de mucosa fina, como o tórus palatino. Caracteriza-se por exposição de osso necrótico na cavidade oral, de manejo desafiador. Relatamos um caso de osteonecrose em tórus palatino inicialmente suspeita de plasmocitoma, cujo diagnóstico foi definido pela avaliação odontológica e confirmado por biópsia, com boa resposta ao tratamento. Relato do Caso: Paciente do sexo feminino, negra, 56 anos, com mieloma múltiplo diagnosticado em 2019, submetida a transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas em 2020, última quimioterapia em janeiro de 2025, uso prévio de ácido zoledrônico, além de comorbidades cardiovasculares e metabólicas, incluindo insuficiência cardíaca por cardiotoxicidade associada a carfilzomibe. Foi transferida de outro serviço com queixa de dor em palato, referindo trauma local na região antes do surgimento da lesão. A avaliação médica inicial levantou suspeita de plasmocitoma, dada a história oncológica de base. Encaminhada à odontologia, na oroscopia foi observado edema e exposição óssea em tórus palatino, o que levantou a hipótese de osteonecrose maxilar induzida por medicamento, associada ao uso prévio de bifosfonato e ao trauma local relatado. Foi realizada a biópsia de tecido e osso que confirmou o diagnóstico, revelando fragmentos com osteonecrose com reabsorção periférica irregular, circundados por colônias de Actinomyces sp . Diante da confirmação diagnóstica, o manejo consistiu em remoção cirúrgica do osso necrótico, laserterapia com terapia fotodinâmica antimicrobiana e aplicação tópica de gel de clorexidina, associados a antibioticoterapia com piperacilina-tazobactam e ao protocolo com pentoxifilina 400 mg e tocoferol 400UI a cada 12 horas. Houve resolução completa da dor e cicatrização da lesão. Discussão: A osteonecrose maxilar induzida por medicamento deve constar no diagnóstico diferencial de lesões orais em pacientes com mieloma múltiplo que já fizerem uso de bifosfonatos, sobretudo em áreas de mucosa fina sobre proeminência óssea, como o tórus palatino, predispostas a exposição após trauma local. Nesse caso, a exposição óssea inicialmente levantou suspeita de plasmocitoma, sendo a avaliação odontológica determinante para o diagnóstico diferencial correto, confirmado pela biópsia. A colonização por Actinomyces sp. reforça a necessidade de terapia antimicrobiana associada ao manejo cirúrgico conservador. A abordagem integrando debridamento cirúrgico, terapia fotodinâmica antimicrobiana e protocolo com pentoxifilina e tocoferol, mostrou-se eficaz no controle da lesão. Conclusão: O caso reforça a importância da avaliação odontológica especializada no diagnóstico diferencial de lesões de boca e no manejo da osteonecrose induzida por medicamento em pacientes com mieloma múltiplo, evidenciando a importância do papel da odontologia na equipe multidisciplinar onco-hematológica.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -