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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

SISTEMATIZAÇÃO DE UM MODELO INSTITUCIONAL PARA INCORPORAÇÃO DE PROTOCOLOS ONCO-HEMATOLÓGICOS NO SUS POR MEIO DE AVALIAÇÃO CLÍNICA E FARMACOECONÔMICA: EXPERIÊNCIA DE UM HOSPITAL FILANTRÓPICO

  1. 1Hospital Santa Izabel, Salvador, BA, Brasil

Abstract

Introdução: A incorporação contínua de novas tecnologias e medicamentos de alto custo na Onco-Hematologia tem ampliado os desafios relacionados à sustentabilidade financeira dos serviços de saúde. No Sistema Único de Saúde (SUS), esse cenário é agravado pelo financiamento por Autorizações de Procedimentos de Alta Complexidade (APAC), cujos valores nem sempre acompanham a evolução dos custos assistenciais. Nesse contexto, a integração entre avaliação clínica e farmacoeconômica dos protocolos terapêuticos torna-se fundamental para subsidiar a tomada de decisão institucional, otimizar a utilização de recursos e ampliar o acesso a terapias inovadoras. Objetivo: Descrever a implantação de um modelo institucional de avaliação clínica e farmacoeconômica de protocolos onco-hematológicos, visando verificar sua conformidade com diretrizes clínicas, sua sustentabilidade financeira frente ao financiamento por APAC e seu potencial de incorporação ao ambulatório de Onco-Hematologia do SUS. Métodos: Relato de experiência realizado em um hospital filantrópico de alta complexidade habilitado em Oncologia de Salvador-BA. Foram avaliados protocolos terapêuticos propostos pelo Comitê Institucional de Onco-Hematologia, contemplando mieloma múltiplo, síndrome mielodisplásica, leucemias agudas e crônicas e linfomas. A avaliação compreendeu três etapas: (1) Validação clínica quanto à indicação, linha terapêutica, doses, frequência, intervalos e conformidade com diretrizes nacionais e internacionais; (2) Avaliação farmacoeconômica por meio da comparação entre os custos diretos (medicamentos, materiais e insumos) e o financiamento pelas APACs; e (3) Revisão da padronização institucional, visando à adequação dos protocolos existentes e à incorporação de novas tecnologias. Resultados: Foram avaliados 60 protocolos, dos quais 94,2% apresentaram conformidade com as diretrizes clínicas vigentes. Na análise farmacoeconômica, 19 protocolos (31,7%) apresentaram resultado financeiro negativo em relação ao financiamento por APAC. Dentre os protocolos avaliados, nove correspondiam a novas propostas terapêuticas, das quais sete foram aprovadas para incorporação institucional, incluindo os esquemas VRD, KCD e KD para mieloma múltiplo, R-CHOP-14 para linfoma difuso de grandes células B e azacitidina associada à venetoclax para leucemia mieloide aguda, ampliando o acesso dos pacientes do SUS a terapias alinhadas às evidências científicas mais recentes. Quatro protocolos não foram incorporados, sendo dois por não atenderem às diretrizes clínicas vigentes e dois devido à inviabilidade econômica, com impacto financeiro superior a 200% do valor financiado pela APAC. Conclusão: A integração entre validação clínica e avaliação farmacoeconômica permitiu estruturar um modelo institucional para subsidiar a tomada de decisão sobre protocolos onco-hematológicos, conciliando evidências científicas, sustentabilidade financeira e incorporação de novas tecnologias. O modelo evidencia o papel estratégico do farmacêutico na governança clínica e econômica dos serviços de Onco-Hematologia e apresenta potencial de reprodução em outros centros de alta complexidade do SUS.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -