MANEJO HEMOTERÁPICO DE GESTANTE COM ALOANTICORPO ANTI-JR(A): RELATO DE CASO
- 1Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
- 2Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti (HEMORIO), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Abstract
Introdução: O sistema de grupo sanguíneo Jr compreende um único antígeno de alta prevalência, Jr(a), codificado pelo gene ABCG2. Esse antígeno é amplamente expresso em diversos tecidos, incluindo placenta, células-tronco hematopoéticas e precursores eritroides, o que explica sua relevância tanto na imuno-hematologia quanto na obstetrícia. O anti-Jr(a) é um aloanticorpo eritrocitário raro, geralmente associado à exposição durante a gestação ou transfusão prévia. Embora frequentemente apresente baixa relevância clínica, há relatos de doença hemolítica fetal e neonatal, especialmente quando ocorre resposta imune significativa. A ausência de concentrados de hemácias compatíveis constitui importante desafio transfusional, considerando as complicações gestacionais e neonatais que demandam transfusão. Relato de caso: Gestante de 41 anos, G3P1A1, com idade gestacional de 37 semanas e 5 dias pela ultrassonografia e 37 semanas e 3 dias pela data da última menstruação, sem histórico de transfusões prévias e gestação pregressa com relato de icterícia neonatal sem necessidade de tratamento específico. A rotina de pré-natal iniciada em Portugal evidenciou pesquisa de anticorpos irregulares positiva, com identificação de anti-Jr(a) - realizada em laboratório da Inglaterra. A titulação do anti-Jr(a), realizada pelo método de gel, foi de 2 e a investigação das subclasses IgG1 e IgG3 não demonstrou reatividade. No Brasil, foi realizada a avaliação funcional do anti-Jr(a) por ensaio de monócitos em monocamada, cujo resultado foi 1% (pouca reatividade). O hemograma inicial da paciente apresentava hemoglobina de 13,5 g/dL, hematócrito de 39,4%, leucócitos de 9.780/mm³ e plaquetas de 212.000/mm³. Desse modo, o caso foi discutido conjuntamente pelas equipes de hemoterapia (ME UFRJ e HUCFF), obstetrícia, anestesiologia e neonatologia. Considerando a possibilidade de necessidade transfusional e a inexistência de doador Jr(a) negativo no Cadastro Nacional de Sangue Raro, foi programada coleta de unidade autóloga pré-operatória. A gestante foi orientada a manter suplementação de ferro oral. A doação autóloga ocorreu sem intercorrências ou complicações, a paciente não necessitou de transfusões e o recém-nascido não desenvolveu anemia hemolítica. Conclusão: O acompanhamento de gestantes com anti-Jr(a) exige avaliação individualizada do risco de doença hemolítica fetal/neonatal e planejamento transfusional antecipado e cuidadoso diante da raridade de doadores com fenótipo Jr(a) negativo. A combinação entre titulação do anticorpo, avaliação fetal por Doppler da artéria cerebral média, monitorização neonatal e estratégias alternativas — incluindo a autotransfusão programada — pode contribuir para maior segurança materno-fetal. Palavras-chave: anti-Jr(a); Aloimunização Materna; Gestação; Doença Hemolítica Fetal E Neonatal; Sangue Raro; Autotransfusão.
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BibTeX
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TI - MANEJO HEMOTERÁPICO DE GESTANTE COM ALOANTICORPO ANTI-JR(A): RELATO DE CASO
AU - Claudio VERTI MENDONÇA
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.107379
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AB - Introdução: O sistema de grupo sanguíneo Jr compreende um único antígeno de alta prevalência, Jr(a), codificado pelo gene ABCG2. Esse antígeno é amplamente expresso em diversos tecidos, incluindo placenta, células-tronco hematopoéticas e precursores eritroides, o que explica sua relevância tanto na imuno-hematologia quanto na obstetrícia. O anti-Jr(a) é um aloanticorpo eritrocitário raro, geralmente associado à exposição durante a gestação ou transfusão prévia. Embora frequentemente apresente baixa relevância clínica, há relatos de doença hemolítica fetal e neonatal, especialmente quando ocorre resposta imune significativa. A ausência de concentrados de hemácias compatíveis constitui importante desafio transfusional, considerando as complicações gestacionais e neonatais que demandam transfusão. Relato de caso: Gestante de 41 anos, G3P1A1, com idade gestacional de 37 semanas e 5 dias pela ultrassonografia e 37 semanas e 3 dias pela data da última menstruação, sem histórico de transfusões prévias e gestação pregressa com relato de icterícia neonatal sem necessidade de tratamento específico. A rotina de pré-natal iniciada em Portugal evidenciou pesquisa de anticorpos irregulares positiva, com identificação de anti-Jr(a) - realizada em laboratório da Inglaterra. A titulação do anti-Jr(a), realizada pelo método de gel, foi de 2 e a investigação das subclasses IgG1 e IgG3 não demonstrou reatividade. No Brasil, foi realizada a avaliação funcional do anti-Jr(a) por ensaio de monócitos em monocamada, cujo resultado foi 1% (pouca reatividade). O hemograma inicial da paciente apresentava hemoglobina de 13,5 g/dL, hematócrito de 39,4%, leucócitos de 9.780/mm³ e plaquetas de 212.000/mm³. Desse modo, o caso foi discutido conjuntamente pelas equipes de hemoterapia (ME UFRJ e HUCFF), obstetrícia, anestesiologia e neonatologia. Considerando a possibilidade de necessidade transfusional e a inexistência de doador Jr(a) negativo no Cadastro Nacional de Sangue Raro, foi programada coleta de unidade autóloga pré-operatória. A gestante foi orientada a manter suplementação de ferro oral. A doação autóloga ocorreu sem intercorrências ou complicações, a paciente não necessitou de transfusões e o recém-nascido não desenvolveu anemia hemolítica. Conclusão: O acompanhamento de gestantes com anti-Jr(a) exige avaliação individualizada do risco de doença hemolítica fetal/neonatal e planejamento transfusional antecipado e cuidadoso diante da raridade de doadores com fenótipo Jr(a) negativo. A combinação entre titulação do anticorpo, avaliação fetal por Doppler da artéria cerebral média, monitorização neonatal e estratégias alternativas — incluindo a autotransfusão programada — pode contribuir para maior segurança materno-fetal. Palavras-chave: anti-Jr(a); Aloimunização Materna; Gestação; Doença Hemolítica Fetal E Neonatal; Sangue Raro; Autotransfusão.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -