PLASMOCITOMA EXTRAMEDULAR DE CÉLULAS ETMOIDAIS EVOLUINDO COM CARCINOMA ESPINOCELULAR DE CAVIDADE ORAL: RELATO DE CASO
- 1Hospital de Câncer de Barretos (HCB), Barretos, SP, Brasil
Abstract
Introdução: O Plasmocitoma extramedular é uma neoplasia rara de plasmócitos monoclonais, correspondendo a menos de 10% dos tumores plasmocíticos. Embora apresente comportamento predominantemente localizado, pode representar a manifestação inicial do Mieloma Múltiplo, tornando o diagnóstico diferencial um desafio. Objetivo: Descrever o caso de um paciente com plasmocitoma extramedular de seios da face concomitante a um Carcinoma de Células Escamosas (CEC) de cavidade oral, destacando os desafios diagnósticos, terapêuticos e a importância da atuação multidisciplinar. Relato de Caso: Paciente do sexo masculino, 92 anos, iniciou quadro de edema, dor e paralisia facial associados à obstrução nasal, disfonia e diminuição do apetite, sem sintomas B. A ressonância magnética e a tomografia computadorizada evidenciaram formação expansiva com epicentro nas células etmoidais esquerdas, estendendo-se para cavidade nasal e seio maxilar ipsilateral, com destruição óssea, remodelamento dos arcabouços ósseos, comprometimento das vias de drenagem dos seios paranasais, proptose orbitária e linfonodomegalia cervical esquerda. A biópsia, complementada por imunohistoquímica, demonstrou proliferação plasmocitária monoclonal com restrição para cadeia leve kappa, positividade para MUM1, CD56 e CD30 e negatividade para CD3, CD20, PAX5, lambda e AE1/AE3, compatível com plasmocitoma. A avaliação por PET-CT evidenciou acometimento das células etmoidais esquerdas e do recesso faríngeo direito, sem sinais de doença disseminada. O paciente foi submetido à radioterapia, realizou 45Gy em 25 frações, apresentando resposta completa da lesão inicial. Durante o seguimento odontológico, aproximadamente um mês após o término da radioterapia, foi identificada uma extensa lesão ulcerativa, infiltrativa e necrótica em região de mucosa jugal a direita, envolvendo partes moles e osso mandibular, associada à fratura patológica. Inicialmente foram consideradas hipóteses diagnósticas de osteorradionecrose ou plasmocitoma, sendo realizada biópsia incisional. O exame anatomopatológico revelou carcinoma de células escamosas bem diferenciado invasivo, com infiltração óssea confirmada em todos os fragmentos analisados. Exames de imagem demonstraram progressão da lesão para espaços mandibular e parotídeo, invasão da cavidade oral e seio maxilar ipsilateral, acompanhada de sangramento tumoral recorrente, disfagia, necrose extensa e deterioração clínica progressiva. Em razão da idade avançada, extensão tumoral e condição clínica desfavorável, foi instituído tratamento paliativo, porém o paciente evoluiu para óbito. Conclusão: Este caso evidencia a complexidade diagnóstica da coexistência de duas neoplasias malignas distintas na mesma região anatômica, ressaltando a necessidade de investigação histopatológica criteriosa diante de novas lesões, mesmo em pacientes com diagnóstico onco-hematológico previamente estabelecido. Destaca-se ainda o papel fundamental da equipe multidisciplinar, especialmente da odontologia, na identificação precoce de alterações bucais, contribuindo para o diagnóstico diferencial, definição terapêutica e melhor assistência ao paciente.
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AB - Introdução: O Plasmocitoma extramedular é uma neoplasia rara de plasmócitos monoclonais, correspondendo a menos de 10% dos tumores plasmocíticos. Embora apresente comportamento predominantemente localizado, pode representar a manifestação inicial do Mieloma Múltiplo, tornando o diagnóstico diferencial um desafio. Objetivo: Descrever o caso de um paciente com plasmocitoma extramedular de seios da face concomitante a um Carcinoma de Células Escamosas (CEC) de cavidade oral, destacando os desafios diagnósticos, terapêuticos e a importância da atuação multidisciplinar. Relato de Caso: Paciente do sexo masculino, 92 anos, iniciou quadro de edema, dor e paralisia facial associados à obstrução nasal, disfonia e diminuição do apetite, sem sintomas B. A ressonância magnética e a tomografia computadorizada evidenciaram formação expansiva com epicentro nas células etmoidais esquerdas, estendendo-se para cavidade nasal e seio maxilar ipsilateral, com destruição óssea, remodelamento dos arcabouços ósseos, comprometimento das vias de drenagem dos seios paranasais, proptose orbitária e linfonodomegalia cervical esquerda. A biópsia, complementada por imunohistoquímica, demonstrou proliferação plasmocitária monoclonal com restrição para cadeia leve kappa, positividade para MUM1, CD56 e CD30 e negatividade para CD3, CD20, PAX5, lambda e AE1/AE3, compatível com plasmocitoma. A avaliação por PET-CT evidenciou acometimento das células etmoidais esquerdas e do recesso faríngeo direito, sem sinais de doença disseminada. O paciente foi submetido à radioterapia, realizou 45Gy em 25 frações, apresentando resposta completa da lesão inicial. Durante o seguimento odontológico, aproximadamente um mês após o término da radioterapia, foi identificada uma extensa lesão ulcerativa, infiltrativa e necrótica em região de mucosa jugal a direita, envolvendo partes moles e osso mandibular, associada à fratura patológica. Inicialmente foram consideradas hipóteses diagnósticas de osteorradionecrose ou plasmocitoma, sendo realizada biópsia incisional. O exame anatomopatológico revelou carcinoma de células escamosas bem diferenciado invasivo, com infiltração óssea confirmada em todos os fragmentos analisados. Exames de imagem demonstraram progressão da lesão para espaços mandibular e parotídeo, invasão da cavidade oral e seio maxilar ipsilateral, acompanhada de sangramento tumoral recorrente, disfagia, necrose extensa e deterioração clínica progressiva. Em razão da idade avançada, extensão tumoral e condição clínica desfavorável, foi instituído tratamento paliativo, porém o paciente evoluiu para óbito. Conclusão: Este caso evidencia a complexidade diagnóstica da coexistência de duas neoplasias malignas distintas na mesma região anatômica, ressaltando a necessidade de investigação histopatológica criteriosa diante de novas lesões, mesmo em pacientes com diagnóstico onco-hematológico previamente estabelecido. Destaca-se ainda o papel fundamental da equipe multidisciplinar, especialmente da odontologia, na identificação precoce de alterações bucais, contribuindo para o diagnóstico diferencial, definição terapêutica e melhor assistência ao paciente.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -