DEMONSTRAÇÃO DE ANTICORPO DO TIPO AGLUTININA A FRIO POR CITOMETRIA DE FLUXO EM PACIENTE COM DOENÇA DAS AGLUTININAS FRIAS
- 1Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista (HCFMB-UNESP), Botucatu, SP, Brasil
- 2Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Ponta Grossa, PR, Brasil
Abstract
Introdução: A doença das aglutininas frias (DAF) é uma condição rara caracterizada pela produção de autoanticorpo, geralmente da classe IgM, capaz de se ligar à superfície das hemácias e gerar hemólise por ativação da via clássica do sistema complemento, sendo sua principal característica a maior atividade destes anticorpos em temperatura de 4 a 6ºC. Atualmente, é compreendida dentro do espectro das doenças linfoproliferativas de baixo grau (DLBG) e das gamopatias de significado clínico (GSC) causadas por subtipo específico de DLBG. 1,2. O diagnóstico desta patologia se dá principalmente pela exclusão de causas secundárias (infecções virais, doenças reumatológicas, outras DLP) e a detecção de células B clonais maduras na medula óssea, onde há destaque para a citometria de fluxo (CF). O teste de antiglobulina direta (TAD), em geral, é positivo para C3d e IgM, podendo haver positividade para IgG e a atividade do anticorpo IgM deve ser evidenciada em temperaturas menores que 37ºC. Pode-se dividir as manifestações clínicas entre os fenômenos vasculares, que são causados por aglutinação nas áreas acrais do corpo podendo evoluir com cianose e necrose, e a hemólise, que pode ser compensada ou não. O tratamento envolve uso de rituximab associado ou não a quimioterapia citotóxica. Relato de caso: Homem de 65 anos com antecedente de neoplasia de cordas vocais tratada com radioterapia em 2020 iniciou quadro de anemia hemolítica, fadiga e palpitações por volta de agosto de 2025. Evolui durante internação de investigação com necrose distal do segundo quirodáctilo direito. Aos exames: TAD 4+ para C3d e titulação de crioaglutinina de 1:8000. A investigação de causas secundárias foi negativa, a qual englobou sorologias para infecções virais, tomografias e painel reumatológico. A realização de CF da MO para pesquisa de neoplasias hematológicas não demonstrou clonalidade; no entanto, houve reação de aglutinação nas hemácias residuais da amostra de MO, evidenciando importante atividade do autoanticorpo em um fenômeno semelhante ao utilizado nos ensaios de FC-DAT. Diversas linhas de tratamento não trouxeram resposta e o paciente manteve o quadro hemolítico mesmo após tratamentos com: corticoides, ciclofosfamida, rituximab, plasmaférese, azatioprina e associação de eritropoetina. Manteve suporte transfusional sob demanda. Discussão: O caso ilustra condição rara com manifestações clínicas clássicas e investigação de doença primária ou de causas secundárias negativas. Dá-se destaque à CF que, apesar de não ter detectado doença clonal, o que pode ser atribuído a um clone muito pequeno, demonstrou a presença do anticorpo o que elucida um uso da CF em casos de anemias hemolíticas em que há dificuldade de identificação de anticorpos. Além deste fenômeno, salienta-se, pela baixa resposta ao tratamento neste caso clínico e na literatura, uma necessidade não atendida de terapêuticas para uma condição de morbidade importante principalmente no contexto das terapias disponíveis no Sistema Único de Saúde.
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AB - Introdução: A doença das aglutininas frias (DAF) é uma condição rara caracterizada pela produção de autoanticorpo, geralmente da classe IgM, capaz de se ligar à superfície das hemácias e gerar hemólise por ativação da via clássica do sistema complemento, sendo sua principal característica a maior atividade destes anticorpos em temperatura de 4 a 6ºC. Atualmente, é compreendida dentro do espectro das doenças linfoproliferativas de baixo grau (DLBG) e das gamopatias de significado clínico (GSC) causadas por subtipo específico de DLBG. 1,2. O diagnóstico desta patologia se dá principalmente pela exclusão de causas secundárias (infecções virais, doenças reumatológicas, outras DLP) e a detecção de células B clonais maduras na medula óssea, onde há destaque para a citometria de fluxo (CF). O teste de antiglobulina direta (TAD), em geral, é positivo para C3d e IgM, podendo haver positividade para IgG e a atividade do anticorpo IgM deve ser evidenciada em temperaturas menores que 37ºC. Pode-se dividir as manifestações clínicas entre os fenômenos vasculares, que são causados por aglutinação nas áreas acrais do corpo podendo evoluir com cianose e necrose, e a hemólise, que pode ser compensada ou não. O tratamento envolve uso de rituximab associado ou não a quimioterapia citotóxica. Relato de caso: Homem de 65 anos com antecedente de neoplasia de cordas vocais tratada com radioterapia em 2020 iniciou quadro de anemia hemolítica, fadiga e palpitações por volta de agosto de 2025. Evolui durante internação de investigação com necrose distal do segundo quirodáctilo direito. Aos exames: TAD 4+ para C3d e titulação de crioaglutinina de 1:8000. A investigação de causas secundárias foi negativa, a qual englobou sorologias para infecções virais, tomografias e painel reumatológico. A realização de CF da MO para pesquisa de neoplasias hematológicas não demonstrou clonalidade; no entanto, houve reação de aglutinação nas hemácias residuais da amostra de MO, evidenciando importante atividade do autoanticorpo em um fenômeno semelhante ao utilizado nos ensaios de FC-DAT. Diversas linhas de tratamento não trouxeram resposta e o paciente manteve o quadro hemolítico mesmo após tratamentos com: corticoides, ciclofosfamida, rituximab, plasmaférese, azatioprina e associação de eritropoetina. Manteve suporte transfusional sob demanda. Discussão: O caso ilustra condição rara com manifestações clínicas clássicas e investigação de doença primária ou de causas secundárias negativas. Dá-se destaque à CF que, apesar de não ter detectado doença clonal, o que pode ser atribuído a um clone muito pequeno, demonstrou a presença do anticorpo o que elucida um uso da CF em casos de anemias hemolíticas em que há dificuldade de identificação de anticorpos. Além deste fenômeno, salienta-se, pela baixa resposta ao tratamento neste caso clínico e na literatura, uma necessidade não atendida de terapêuticas para uma condição de morbidade importante principalmente no contexto das terapias disponíveis no Sistema Único de Saúde.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -