TROMBOEMBOLISMO PULMONAR EM PEDIATRIA: EXPERIÊNCIA DE 25 ANOS DE UM CENTRO TERCIÁRIO NO BRASIL
- 1Instituto da Criança e do Adolescente, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), São Paulo, SP, Brasil
Abstract
Introdução: O tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma manifestação potencialmente grave do tromboembolismo venoso. Embora raro na pediatria, sua incidência vem aumentando, em função da maior atenção para esse fenômeno nessa faixa etária. Estima-se uma incidência de 0,016% e taxa de letalidade de aproximadamente 4,04%. Dados pediátricos sobre apresentação clínica, tratamento e desfechos a longo prazo permanecem escassos. Objetivo: Descrever o perfil clínico, laboratorial, radiológico, fatores de risco, tratamento e o seguimento de crianças e adolescentes com TEP atendidos em um centro terciário brasileiro. Métodos: Estudo retrospectivo dos casos confirmados de TEP, com idade < 18 anos, acompanhados no ambulatório de trombose pediátrica entre janeiro de 2004 e maio de 2026. Foram coletados dados demográficos e relativos a: clínica, fatores predisponentes, achados radiológicos, tratamentos e desfecho. Resultados: Foram incluídos 33 pacientes, 51,5% do sexo feminino, com média de idade de 11,3 anos (1–18), 63,6% adolescentes. Ao diagnóstico, 54,5% estavam internados e 72,7% eram sintomáticos, com predomínio de dispneia (62,5%), dor torácica (37,5%), hipoxemia (20,8%), tosse (16,6%) e hemoptise (12,5%). O D-dímero foi dosado em 54,5%, com média de 9578,5 ng/mL (274–78857). Fatores predisponentes estavam presentes em 96,9%, incluindo cateter venoso central (46,8%), trombose venosa profunda (28,1%), neoplasias (28,1%), cirurgia recente (21,8%), síndrome nefrótica (12,5%), anticoncepcionais (11,7%) e obesidade (6,2%). Todos receberam anticoagulação, principalmente heparina de baixo peso molecular (84,8%), por média de 3,5 meses. A avaliação de síndrome pós-trombótica (SPT) foi feita em 45,4%, com sintomas em 6%. Apenas um terço dos pacientes realizou controle por imagem tomográfica ao final do tratamento, com recanalização parcial (45,5%) ou total (54,5%). Ecocardiograma, e função pulmonar foram realizados em 45,4%, e 3% dos casos, respectivamente, com resultados majoritariamente normais. Não houve recorrência, complicações ou óbitos relacionados ao TEP. A mediana de seguimento entre o diagnóstico e a última consulta ambulatorial foi de23,6 meses (IIQ: 6,2–42,1). Discussão: Nossa casuística evidenciou que o TEP pediátrico ocorre predominantemente em pacientes com fatores predisponentes (96,9%), consistente com dados internacionais que reportam 90% dos casos com pelo menos um fator de risco. A apresentação clínica com dispneia, dor torácica e hemoptise é comparável à literatura. O prognóstico favorável a curto prazo, provavelmente reflete diagnóstico precoce e anticoagulação adequada. Entretanto, observou-se importante heterogeneidade no seguimento após o tratamento. Esta lacuna é reconhecida globalmente com dados que indicam que apenas 35% dos centros seguem os pacientes não-neonatos por mais de 2 anos após a trombose. Na ausência de diretrizes pediátricas específicas, protocolos institucionais recomendam reavaliações periódicas por pelo menos dois anos após o término da anticoagulação. Conclusão: O TEP pediátrico está frequentemente associado a fatores de risco em crianças hospitalizadas. A elevada suspeição é essencial para o diagnóstico e o tratamento imediato. Observamos evolução clínica e laboratorial a curto prazo favoráveis. Entretanto, oseguimento a longo prazo necessita ser otimizado com a padronização de protocolos de seguimento, incluindo avaliação sistemática para SPT e outras sequelas.
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AB - Introdução: O tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma manifestação potencialmente grave do tromboembolismo venoso. Embora raro na pediatria, sua incidência vem aumentando, em função da maior atenção para esse fenômeno nessa faixa etária. Estima-se uma incidência de 0,016% e taxa de letalidade de aproximadamente 4,04%. Dados pediátricos sobre apresentação clínica, tratamento e desfechos a longo prazo permanecem escassos. Objetivo: Descrever o perfil clínico, laboratorial, radiológico, fatores de risco, tratamento e o seguimento de crianças e adolescentes com TEP atendidos em um centro terciário brasileiro. Métodos: Estudo retrospectivo dos casos confirmados de TEP, com idade < 18 anos, acompanhados no ambulatório de trombose pediátrica entre janeiro de 2004 e maio de 2026. Foram coletados dados demográficos e relativos a: clínica, fatores predisponentes, achados radiológicos, tratamentos e desfecho. Resultados: Foram incluídos 33 pacientes, 51,5% do sexo feminino, com média de idade de 11,3 anos (1–18), 63,6% adolescentes. Ao diagnóstico, 54,5% estavam internados e 72,7% eram sintomáticos, com predomínio de dispneia (62,5%), dor torácica (37,5%), hipoxemia (20,8%), tosse (16,6%) e hemoptise (12,5%). O D-dímero foi dosado em 54,5%, com média de 9578,5 ng/mL (274–78857). Fatores predisponentes estavam presentes em 96,9%, incluindo cateter venoso central (46,8%), trombose venosa profunda (28,1%), neoplasias (28,1%), cirurgia recente (21,8%), síndrome nefrótica (12,5%), anticoncepcionais (11,7%) e obesidade (6,2%). Todos receberam anticoagulação, principalmente heparina de baixo peso molecular (84,8%), por média de 3,5 meses. A avaliação de síndrome pós-trombótica (SPT) foi feita em 45,4%, com sintomas em 6%. Apenas um terço dos pacientes realizou controle por imagem tomográfica ao final do tratamento, com recanalização parcial (45,5%) ou total (54,5%). Ecocardiograma, e função pulmonar foram realizados em 45,4%, e 3% dos casos, respectivamente, com resultados majoritariamente normais. Não houve recorrência, complicações ou óbitos relacionados ao TEP. A mediana de seguimento entre o diagnóstico e a última consulta ambulatorial foi de23,6 meses (IIQ: 6,2–42,1). Discussão: Nossa casuística evidenciou que o TEP pediátrico ocorre predominantemente em pacientes com fatores predisponentes (96,9%), consistente com dados internacionais que reportam 90% dos casos com pelo menos um fator de risco. A apresentação clínica com dispneia, dor torácica e hemoptise é comparável à literatura. O prognóstico favorável a curto prazo, provavelmente reflete diagnóstico precoce e anticoagulação adequada. Entretanto, observou-se importante heterogeneidade no seguimento após o tratamento. Esta lacuna é reconhecida globalmente com dados que indicam que apenas 35% dos centros seguem os pacientes não-neonatos por mais de 2 anos após a trombose. Na ausência de diretrizes pediátricas específicas, protocolos institucionais recomendam reavaliações periódicas por pelo menos dois anos após o término da anticoagulação. Conclusão: O TEP pediátrico está frequentemente associado a fatores de risco em crianças hospitalizadas. A elevada suspeição é essencial para o diagnóstico e o tratamento imediato. Observamos evolução clínica e laboratorial a curto prazo favoráveis. Entretanto, oseguimento a longo prazo necessita ser otimizado com a padronização de protocolos de seguimento, incluindo avaliação sistemática para SPT e outras sequelas.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -