INFECÇÃO POR PARVOVÍRUS B19 COMO CAUSA DE PANCITOPENIA EM PACIENTE COM LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA: RELATO DE CASO
- 1Universidade de Brasília (UnB), Brasília, DF, Brazil
- 2Hospital DF Star, Brasília, DF, Brazil
Abstract
Introdução: A infecção pelo parvovírus B19 (PVB19) apresenta tropismo pelos precursores eritroides na medula óssea. Em indivíduos imunocompetentes, o curso do quadro geralmente é autolimitado. Contudo, em pacientes imunossuprimidos, pelo comprometimento da resposta imune humoral, pode ocorrer viremia persistente, manifestando-se como aplasia pura da série vermelha ou pancitopenia. Em pacientes com Leucemia Mieloide Aguda (LMA) em tratamento, o surgimento de citopenias duradouras levanta forte suspeita de recidiva. Este trabalho descreve um caso de pancitopenia por PVB19 em LMA, destacando a importância da exatidão no diagnóstico diferencial. Apresentação do Caso: Paciente masculino, 67 anos, performance status ECOG 2, sem comorbidades prévias conhecidas, diagnosticado com Leucemia Mieloide Aguda. Iniciou protocolo antineoplásico não intensivo, atingindo remissão completa (RC) após a indução. Após o sexto ciclo de tratamento, apresentou pancitopenia sustentadas. A investigação para causas carenciais (vitamina B12, ácido fólico, ferro), quadros de hemólise e sorologias infecciosas convencionais resultou negativa. Para descartar reativação da doença de base, realizou-se nova avaliação medular. O mielograma e a biópsia de medula óssea evidenciaram parada maturativa na série vermelha, sem evidências de doença neoplásica hematológica. A análise imuno-histoquímica da biópsia foi positiva para o parvovírus B19. Confirmada a supressão medular viral, o paciente foi tratado com Imunoglobulina Endovenosa (IGIV) na dose de 0,4 g/kg/dia por 5 dias. A evolução foi favorável, com aumento expressivo de reticulócitos e recuperação hematológica, permitindo a continuidade do tratamento oncológico. Discussão: A persistência de pancitopenia em pacientes com LMA após documentação de remissão completa exige investigação rigorosa para descartar recidiva oculta ou toxicidade medular. O achado de parada maturativa da série vermelha, sem blastos, sugere fortemente a ação citopática do PVB19. Em imunossuprimidos graves, a sorologia convencional pode ser falso-negativa devido à ausência de produção de anticorpos, tornando a pesquisa viral por imuno-histoquímica ou PCR essenciais. O tratamento com IGIV atua fornecendo de forma passiva os anticorpos neutralizantes necessários para a eliminação viral e interrupção da lise celular. Conclusão: A infecção por PVB19 deve integrar ativamente o diagnóstico diferencial de citopenias inexplicadas em pacientes com LMA durante o tratamento. A avaliação medular oportuna com painel imuno-histoquímico foi decisiva para o diagnóstico preciso, evitando intervenções e mudanças inadequadas no protocolo antineoplásico. A pronta instituição de terapia com IGIV garantiu rápida recuperação hematopoiética e a retomada segura do manejo da leucemia. Apoio Financeiro: Declaramos que não houve qualquer tipo de apoio financeiro, subsídio ou subvenção para a elaboração deste trabalho.
Related
- INFECÇÃO ORAL POR PSEUDOMONAS AERUGINOSA EM PACIENTE COM NEUTROPENIA FEBRIL ASSOCIADA A LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA: RELATO DE CASO
- ANEMIA ASSOCIADA À INFECÇÃO POR PARVOVÍRUS B19 EM PACIENTE TRANSPLANTADO RENAL: RELATO DE CASO
- LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA FLT3-POSITIVA COM INFECÇÃO FÚNGICA INVASIVA PULMONAR, BACTEREMIA POR ESCHERICHIA COLI E CORIORETINITE FÚNGICA DURANTE A INDUÇÃO QUIMIOTERÁPICA: RELATO DE CASO
- DESCOLAMENTO SEROSO DE RETINA ASSOCIADO AO USO DE IMATINIBE EM PACIENTE COM LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA: RELATO DE CASO
- LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA E MIELOMA MÚLTIPLO SINCRÔNICOS EM PACIENTE COM SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA NÃO CONTROLADA: DESAFIO DIAGNÓSTICO E TERAPÊUTICO
BibTeX
@article{queiroz2026infecção,
title = {{INFECÇÃO POR PARVOVÍRUS B19 COMO CAUSA DE PANCITOPENIA EM PACIENTE COM LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA: RELATO DE CASO}},
author = {Helena TAVARES QUEIROZ and Gustavo MIRANDA TAVARES and Valéria DE LEMOS BRANDÃO and Fernando Sérgio BLUMM FERREIRA and Flávia DIAS XAVIER},
journal = {Hematology, Transfusion and Cell Therapy},
year = {2026},
month = oct,
doi = {10.1016/j.htct.2026.108493},
url = {https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.108493},
note = {CC BY},
}
RIS
TY - JOUR
TI - INFECÇÃO POR PARVOVÍRUS B19 COMO CAUSA DE PANCITOPENIA EM PACIENTE COM LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA: RELATO DE CASO
AU - Helena TAVARES QUEIROZ
AU - Gustavo MIRANDA TAVARES
AU - Valéria DE LEMOS BRANDÃO
AU - Fernando Sérgio BLUMM FERREIRA
AU - Flávia DIAS XAVIER
PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.108493
UR - https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.108493
AB - Introdução: A infecção pelo parvovírus B19 (PVB19) apresenta tropismo pelos precursores eritroides na medula óssea. Em indivíduos imunocompetentes, o curso do quadro geralmente é autolimitado. Contudo, em pacientes imunossuprimidos, pelo comprometimento da resposta imune humoral, pode ocorrer viremia persistente, manifestando-se como aplasia pura da série vermelha ou pancitopenia. Em pacientes com Leucemia Mieloide Aguda (LMA) em tratamento, o surgimento de citopenias duradouras levanta forte suspeita de recidiva. Este trabalho descreve um caso de pancitopenia por PVB19 em LMA, destacando a importância da exatidão no diagnóstico diferencial. Apresentação do Caso: Paciente masculino, 67 anos, performance status ECOG 2, sem comorbidades prévias conhecidas, diagnosticado com Leucemia Mieloide Aguda. Iniciou protocolo antineoplásico não intensivo, atingindo remissão completa (RC) após a indução. Após o sexto ciclo de tratamento, apresentou pancitopenia sustentadas. A investigação para causas carenciais (vitamina B12, ácido fólico, ferro), quadros de hemólise e sorologias infecciosas convencionais resultou negativa. Para descartar reativação da doença de base, realizou-se nova avaliação medular. O mielograma e a biópsia de medula óssea evidenciaram parada maturativa na série vermelha, sem evidências de doença neoplásica hematológica. A análise imuno-histoquímica da biópsia foi positiva para o parvovírus B19. Confirmada a supressão medular viral, o paciente foi tratado com Imunoglobulina Endovenosa (IGIV) na dose de 0,4 g/kg/dia por 5 dias. A evolução foi favorável, com aumento expressivo de reticulócitos e recuperação hematológica, permitindo a continuidade do tratamento oncológico. Discussão: A persistência de pancitopenia em pacientes com LMA após documentação de remissão completa exige investigação rigorosa para descartar recidiva oculta ou toxicidade medular. O achado de parada maturativa da série vermelha, sem blastos, sugere fortemente a ação citopática do PVB19. Em imunossuprimidos graves, a sorologia convencional pode ser falso-negativa devido à ausência de produção de anticorpos, tornando a pesquisa viral por imuno-histoquímica ou PCR essenciais. O tratamento com IGIV atua fornecendo de forma passiva os anticorpos neutralizantes necessários para a eliminação viral e interrupção da lise celular. Conclusão: A infecção por PVB19 deve integrar ativamente o diagnóstico diferencial de citopenias inexplicadas em pacientes com LMA durante o tratamento. A avaliação medular oportuna com painel imuno-histoquímico foi decisiva para o diagnóstico preciso, evitando intervenções e mudanças inadequadas no protocolo antineoplásico. A pronta instituição de terapia com IGIV garantiu rápida recuperação hematopoiética e a retomada segura do manejo da leucemia. Apoio Financeiro: Declaramos que não houve qualquer tipo de apoio financeiro, subsídio ou subvenção para a elaboração deste trabalho.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -