RELATO DE CASO E A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO MOLECULAR DA INTERAÇÃO DE HB S E HB OLEANDER
- 1Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Três Lagoas, MS, Brasil
- 2Universidade Estadual Paulista (UNESP), São José do Rio Preto, SP, Brasil
- 3Hemocentro do Maranhão (HEMOMAR), São Luís, MA, Brasil
Abstract
Introdução: A hemoglobina (Hb) Oleander é uma variante estrutural rara da cadeia α, assintomática e decorrente da mutação HBA2:c.349G>C, descrita em poucos relatos na literatura. A sua coerança com a Hb S torna a interpretação laboratorial ainda mais complexa, representando um desafio diagnóstico, uma vez que apresentam perfis cromatográficos semelhantes, o que dificulta sua diferenciação por métodos convencionais e reforça a importância da investigação molecular. Descrevemos um caso de Hb Oleander associado ao traço falciforme, diagnosticado no Ambulatório do Hemocentro do Maranhão (HEMOMAR). Descrição do Caso: Mulher, 51 anos, natural de São Luís (MA), encaminhada ao Ambulatório do HEMOMAR, onde foram realizadas análises hematimétricas e cromatográficas para triagem inicial de hemoglobinopatias. O hemograma demonstrou parâmetros hematológicos preservados (eritrócitos=4,36 ×10⁶/mm 3 , hemoglobina=13,8 g/dL, hematócrito=40,7%, VCM=93,3 fL, HCM=31,7 pg, CHCM=33,9 g/dL, RDW=13,2%), mas apresentou perfil hemoglobínico inconclusivo no cromatograma. Assim, uma amostra de sangue total foi encaminhada ao Laboratório de Genética da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS/CPTL) para investigação complementar e confirmatória de hemoglobinopatia. Para isso, foi realizada aálise por cromatografia líquida de alta performance (HPLC, Premier Resolution, Trinity Biotech), que evidenciou Hb A₀=37,5%, Hb S=30,6%, nos tempos de retenção relativos (RRT) esperados, indicando a presença em heterozigose da Hb S. Todavia, uma segunda fração variante (RRT/S=0,96) correspondendo a 10,8% e uma fração híbrida de 8,7% (RRT/S=1,05), indicaram a presença de variante estrutural da α-globina. Em seguida, foram realizadas análises moleculares para identificar mutações hemoglobínicas; a PCR-RFLP confirmou a presença do alelo HbS (HBB:c.20A>T) em heterozigose. O sequenciamento de Sanger dos genes HBA1 e HBA2 demonstrou a presença da mutação HBA2:c.349G>C, compatível com Hb Oleander, também em heterozigose. A ausência de alterações hematológicas e bioquímicas relevantes corrobora o perfil assintomático da variante, conforme a literatura, em contraste com a complexidade de sua identificação laboratorial. Afinal, além do caráter silencioso, a interação da Hb Oleander com a Hb S agravou a dificuldade diagnóstica devido ao comportamento semelhante nos métodos tradicionais de triagem. Neste cenário, ressalta-se a importância do diagnóstico molecular confirmatório como estratégia integrada e indispensável à identificação precisa e acurada das hemoglobinopatias, serviço essencial para o acompanhamento médico adequado dos indivíduos. Conclusão: A interação entre Hb S e Hb Oleander representa uma condição rara cujo reconhecimento depende da integração de métodos tradicionais e moleculares. Neste caso, a investigação direcionada apenas para Hb S não seria suficiente para explicar o perfil cromatográfico observado, sendo o sequenciamento dos genes da α-globina indispensável para o diagnóstico definitivo. Este relato amplia o conhecimento sobre a Hb Oleander na população brasileira, evidencia seu comportamento hematológico assintomático na heterozigose e reforça a necessidade de protocolos diagnósticos abrangentes para a caracterização adequada de Hb variantes raras.
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RIS
TY - JOUR
TI - RELATO DE CASO E A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO MOLECULAR DA INTERAÇÃO DE HB S E HB OLEANDER
AU - Augusto Cesar RODRIGUES
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AU - Bárbara Braga Vieira MARQUES
AU - Kaiky Corturato PIVA
AU - Lucas Nathan De Souza NUNES
AU - Marcela Cantarin RONCADA
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.106762
UR - https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.106762
AB - Introdução: A hemoglobina (Hb) Oleander é uma variante estrutural rara da cadeia α, assintomática e decorrente da mutação HBA2:c.349G>C, descrita em poucos relatos na literatura. A sua coerança com a Hb S torna a interpretação laboratorial ainda mais complexa, representando um desafio diagnóstico, uma vez que apresentam perfis cromatográficos semelhantes, o que dificulta sua diferenciação por métodos convencionais e reforça a importância da investigação molecular. Descrevemos um caso de Hb Oleander associado ao traço falciforme, diagnosticado no Ambulatório do Hemocentro do Maranhão (HEMOMAR). Descrição do Caso: Mulher, 51 anos, natural de São Luís (MA), encaminhada ao Ambulatório do HEMOMAR, onde foram realizadas análises hematimétricas e cromatográficas para triagem inicial de hemoglobinopatias. O hemograma demonstrou parâmetros hematológicos preservados (eritrócitos=4,36 ×10⁶/mm 3 , hemoglobina=13,8 g/dL, hematócrito=40,7%, VCM=93,3 fL, HCM=31,7 pg, CHCM=33,9 g/dL, RDW=13,2%), mas apresentou perfil hemoglobínico inconclusivo no cromatograma. Assim, uma amostra de sangue total foi encaminhada ao Laboratório de Genética da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS/CPTL) para investigação complementar e confirmatória de hemoglobinopatia. Para isso, foi realizada aálise por cromatografia líquida de alta performance (HPLC, Premier Resolution, Trinity Biotech), que evidenciou Hb A₀=37,5%, Hb S=30,6%, nos tempos de retenção relativos (RRT) esperados, indicando a presença em heterozigose da Hb S. Todavia, uma segunda fração variante (RRT/S=0,96) correspondendo a 10,8% e uma fração híbrida de 8,7% (RRT/S=1,05), indicaram a presença de variante estrutural da α-globina. Em seguida, foram realizadas análises moleculares para identificar mutações hemoglobínicas; a PCR-RFLP confirmou a presença do alelo HbS (HBB:c.20A>T) em heterozigose. O sequenciamento de Sanger dos genes HBA1 e HBA2 demonstrou a presença da mutação HBA2:c.349G>C, compatível com Hb Oleander, também em heterozigose. A ausência de alterações hematológicas e bioquímicas relevantes corrobora o perfil assintomático da variante, conforme a literatura, em contraste com a complexidade de sua identificação laboratorial. Afinal, além do caráter silencioso, a interação da Hb Oleander com a Hb S agravou a dificuldade diagnóstica devido ao comportamento semelhante nos métodos tradicionais de triagem. Neste cenário, ressalta-se a importância do diagnóstico molecular confirmatório como estratégia integrada e indispensável à identificação precisa e acurada das hemoglobinopatias, serviço essencial para o acompanhamento médico adequado dos indivíduos. Conclusão: A interação entre Hb S e Hb Oleander representa uma condição rara cujo reconhecimento depende da integração de métodos tradicionais e moleculares. Neste caso, a investigação direcionada apenas para Hb S não seria suficiente para explicar o perfil cromatográfico observado, sendo o sequenciamento dos genes da α-globina indispensável para o diagnóstico definitivo. Este relato amplia o conhecimento sobre a Hb Oleander na população brasileira, evidencia seu comportamento hematológico assintomático na heterozigose e reforça a necessidade de protocolos diagnósticos abrangentes para a caracterização adequada de Hb variantes raras.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -