SÍNDROME VEXAS ASSOCIADA À MUTAÇÃO NÃO CANÔNICA EM GENE UBA1 – RELATO DE CASO
- 1Associação Hospitalar Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS, Brasil
Abstract
Introdução: A síndrome VEXAS é uma doença autoinflamatória somática ligada ao cromossomo X descoberta recentemente, descrita pela primeira vez em 2020 e causada por mutações no gene UBA1, que comprometem a função da enzima E-1, afetando a ubiquitinação celular. Acomete especialmente homens ≥ 50 anos (prevalência ∼1:4000). As características clínicas e laboratoriais clássicas são inflamação cutânea, pulmonar, ocular e cartilaginosa, além de anemia macrocítica e vacuolização de precursores mieloides e eritroides. As manifestações hematológicas são variadas e incluem insuficiência da medula óssea com consequente citopenia progressiva, aumento do risco de trombose e do risco de neoplasias hematológicas, com evolução para síndrome mielodisplásica (SMD) em 20–55% dos casos. A mortalidade varia entre 30 a 50% em cinco anos. As mutações canônicas acometem o códon da metionina41 do gene UBA1; entretanto, outras mutações não clássicas podem desencadear a doença. Objetivo: Relatar o caso de um paciente com síndrome VEXAS em que o sequenciamento completo do exoma foi decisivo para o diagnóstico e planejamento terapêutico. Relato de caso: Paciente masculino, 66 anos, internado em outubro/2025 por tosse crônica agudizada, eritema em membros inferiores, aftas orais, conjuntivite, gastroenterite, fraqueza em membros inferiores, febre e pancitopenia. A investigação de doenças inflamatórias e infecciosas inicial foi negativa. A biópsia cutânea confirmou eritema nodoso nos membros inferiores. O mielograma mostrava hipercelularidade (M:E 5.2:1), aumento da série granulocítica (73%) em todos os estágios de maturação, redução da série eritroide (14,5%), plasmócitos binucleados e aumento do número de megacariócitos. A imunofenotipagem acrescentava hematogônias reduzidas e série granulocítica hipogranular (escore de Ogata 2), completando os achados compatíveis com SMD. O exame direcionado para as mutações canônicas do gene UBA1 resultou negativo. Tendo em vista a alta suspeição clínica, optou-se pela realização do sequenciamento completo do exoma, que mostrou uma variante NM_003334.4(UBA1):c.1516G>A; p.(Asp506Asn) no gene UBA1 com frequência do alelo variante de 77%, sugerindo clone dominante. Além disso, foram encontradas mutações no gene TET2, com frequências menos significativas (33 e 44%). Com a confirmação genética, iniciou-se Azacitidina para controle da doença e tentativa de desmame de corticoide. Atualmente, o paciente apresenta estabilização clínica e aguarda transplante de medula óssea alogênico. Discussão: A caracterização genética da síndrome VEXAS é um tópico em desenvolvimento, sendo o comprometimento do gene UBA1 um critério diagnóstico obrigatório. Estudos recentes demonstram a relevância de variantes não met41 (não canônicas) no gene UBA1 e de mutações somáticas concomitantes na apresentação da doença. Conclusão: A síndrome VEXAS é uma doença complexa, cujo diagnóstico pode ser desafiador, especialmente se sua apresentação for associada a uma mutação não clássica do gene UBA1. Critérios clínicos devem ser muito bem avaliados para guiar a investigação complementar, que pode exigir testes genéticos mais complexos.
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BibTeX
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RIS
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AU - Tyana Mara Ribas D'Ávila Raymundo DE OLIVEIRA
AU - Sabrina NAVROSKI
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
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AB - Introdução: A síndrome VEXAS é uma doença autoinflamatória somática ligada ao cromossomo X descoberta recentemente, descrita pela primeira vez em 2020 e causada por mutações no gene UBA1, que comprometem a função da enzima E-1, afetando a ubiquitinação celular. Acomete especialmente homens ≥ 50 anos (prevalência ∼1:4000). As características clínicas e laboratoriais clássicas são inflamação cutânea, pulmonar, ocular e cartilaginosa, além de anemia macrocítica e vacuolização de precursores mieloides e eritroides. As manifestações hematológicas são variadas e incluem insuficiência da medula óssea com consequente citopenia progressiva, aumento do risco de trombose e do risco de neoplasias hematológicas, com evolução para síndrome mielodisplásica (SMD) em 20–55% dos casos. A mortalidade varia entre 30 a 50% em cinco anos. As mutações canônicas acometem o códon da metionina41 do gene UBA1; entretanto, outras mutações não clássicas podem desencadear a doença. Objetivo: Relatar o caso de um paciente com síndrome VEXAS em que o sequenciamento completo do exoma foi decisivo para o diagnóstico e planejamento terapêutico. Relato de caso: Paciente masculino, 66 anos, internado em outubro/2025 por tosse crônica agudizada, eritema em membros inferiores, aftas orais, conjuntivite, gastroenterite, fraqueza em membros inferiores, febre e pancitopenia. A investigação de doenças inflamatórias e infecciosas inicial foi negativa. A biópsia cutânea confirmou eritema nodoso nos membros inferiores. O mielograma mostrava hipercelularidade (M:E 5.2:1), aumento da série granulocítica (73%) em todos os estágios de maturação, redução da série eritroide (14,5%), plasmócitos binucleados e aumento do número de megacariócitos. A imunofenotipagem acrescentava hematogônias reduzidas e série granulocítica hipogranular (escore de Ogata 2), completando os achados compatíveis com SMD. O exame direcionado para as mutações canônicas do gene UBA1 resultou negativo. Tendo em vista a alta suspeição clínica, optou-se pela realização do sequenciamento completo do exoma, que mostrou uma variante NM_003334.4(UBA1):c.1516G>A; p.(Asp506Asn) no gene UBA1 com frequência do alelo variante de 77%, sugerindo clone dominante. Além disso, foram encontradas mutações no gene TET2, com frequências menos significativas (33 e 44%). Com a confirmação genética, iniciou-se Azacitidina para controle da doença e tentativa de desmame de corticoide. Atualmente, o paciente apresenta estabilização clínica e aguarda transplante de medula óssea alogênico. Discussão: A caracterização genética da síndrome VEXAS é um tópico em desenvolvimento, sendo o comprometimento do gene UBA1 um critério diagnóstico obrigatório. Estudos recentes demonstram a relevância de variantes não met41 (não canônicas) no gene UBA1 e de mutações somáticas concomitantes na apresentação da doença. Conclusão: A síndrome VEXAS é uma doença complexa, cujo diagnóstico pode ser desafiador, especialmente se sua apresentação for associada a uma mutação não clássica do gene UBA1. Critérios clínicos devem ser muito bem avaliados para guiar a investigação complementar, que pode exigir testes genéticos mais complexos.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -