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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

INTOXICAÇÃO POR VITAMINA D MIMETIZANDO PROGRESSÃO DE DOENÇA EM PACIENTE COM MIELOMA MÚLTIPLO: RELATO DE CASO

1 more authors
  1. 1Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil

Abstract

Introdução: O mieloma múltiplo é caracterizado por proliferação clonal de plasmócitos e produção de imunoglobulina monoclonal, frequentemente associado a doença óssea, anemia, hipercalcemia e disfunção renal. A hipercalcemia ocorre em 13-20% dos casos e decorre principalmente da reabsorção óssea mediada por citocinas osteoclásticas via eixo RANKL e costuma estar associada a atividade ou progressão de doença. No entanto, diagnósticos diferenciais de hipercalcemia devem sempre ser considerados, sobretudo diante do uso crescente de terapias não convencionais e suplementação não supervisionada entre pacientes oncológicohematológicos. Relato de caso: Paciente do sexo masculino, com diagnóstico prévio de plasmocitoma solitário (2020) em progressão para mieloma múltiplo kappa (2023), ISS 3, submetido a transplante autólogo de medula óssea em 2023. Em maio de 2026, apresentou progressão de doença, iniciou terceira linha com bortezomibe, lenalidomida, dexametasona (VRD), completando dois ciclos, com resposta bioquímica parcial - queda progressiva da proteinúria e melhora da eletroforese de proteínas. Compareceu à consulta ambulatorial com náuseas e queda do estado geral, identificando-se piora significativa da função renal (elevação de creatinina de 2,0 para 4,7 mg/dL), sem causa aparente. Optou-se por internação para investigação diagnóstica. Apresentava hipercalcemia refratária às medidas clínicas habituais, necessitando terapia de substituição renal de urgência. Na anamnese dirigida, paciente e familiares relataram uso concomitante, havia alguns meses, de ozonioterapia e suplementação injetável de vitaminas - incluindo vitamina D - prescritas por profissional médico, sem acompanhamento pela equipe assistente. Solicitada dosagem sérica de 25-OH-vitamina D, que evidenciou 138,2 ng/mL, valor compatível com intoxicação. A biópsia renal previamente agendada foi suspensa, e o caso foi conduzido como provável intoxicação por vitamina D, com melhora progressiva após suporte dialítico e suspensão da suplementação. Discussão: A hipercalcemia em pacientes com mieloma múltiplo costuma ser interpretada, num primeiro momento, como sinal de progressão de doença, podendo levar a intervenções invasivas desnecessárias, como biópsias e progressão de linhas terapêuticas. Neste caso, a resposta bioquímica favorável ao esquema VRD tornava a hipótese de progressão pouco provável, reforçando a importância de investigar causas alternativas. A intoxicação por vitamina D é uma causa reconhecida, porém subdiagnosticada, de hipercalcemia e injúria renal aguda, decorrente do aumento da absorção intestinal de cálcio e da reabsorção óssea mediada pelo excesso do metabólito ativo. O uso crescente de terapias alternativas, muitas vezes desconhecido pela equipe até que se investigue ativamente, reforça a necessidade de anamnese dirigida sobre suplementos e terapias complementares em pacientes oncológicos com evolução discordante da esperada. Conclusão: Este caso ilustra a importância de uma anamnese ativa e detalhada sobre o uso de terapias não convencionais em pacientes com mieloma múltiplo que apresentam hipercalcemia e disfunção renal, evitando-se atribuição automática à progressão de doença. O reconhecimento precoce da intoxicação por vitamina D como diagnóstico diferencial permite conduta terapêutica adequada, evita procedimentos invasivos desnecessários e reforça a necessidade de orientação dos pacientes sobre os riscos de terapias complementares não supervisionadas.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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