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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

LINFADENOPATIA ASSOCIADA A PIGMENTO DE TATUAGEM SIMULANDO DOENÇA LINFOPROLIFERATIVA: RELATO DE CASO

  1. 1Universidade de Caxias do Sul (UCS), Caxias do Sul, RS, Brasil

Abstract

Introdução: Linfonodomegalias persistentes frequentemente suscitam suspeitas de doenças linfoproliferativas ou metastáticas. Contudo, causas benignas raras, como reações a pigmentos de tatuagem, podem mimetizar tais etiologias e levar a investigação extensa e procedimentos invasivos desnecessários. Com a crescente disseminação de tal prática, torna-se fundamental reconhecer manifestações adversas relacionadas aos pigmentos, incluindo acometimentos cutâneos e linfonodais. Relato de caso: Paciente feminina, 32 anos, previamente hígida, encaminhada ao serviço de hematologia por identificação incidental de linfonodomegalia axilar direita em ultrassonografia mamária. Referia lesões cutâneas pruriginosas crônicas há dois anos. Nega presença de febre, perda ponderal ou sudorese noturna. Ao exame físico, apresentava adenomegalias cervicais e axilar direita, móveis e indolores, além de tatuagens na área de drenagem linfática acometida e placas eritematosas espessadas, de superfície áspera. Laboratoriais com sorologias negativas, autoanticorpos e marcadores tumorais normais, com elevação de IgE sérica (2.301 UI/mL). À imagem, linfonodomegalias cervicais, torácicas e inguinais medindo até 1,4 cm. Diante da hipótese de doença linfoproliferativa, realizou-se biópsia cutânea e de linfonodo axilar, compatível com hiperplasia folicular linfoide reacional e histiocitose sinusal secundária a pigmento exógeno, confirmando reação secundária à tatuagem. Discussão: A linfadenopatia associada a pigmento de tatuagem representa condição benigna rara e provavelmente subdiagnosticada, capaz de simular doenças linfoproliferativas e metástases linfonodais. O mecanismo envolve migração linfática de pigmento até linfonodos regionais, seguida de fagocitose por histiócitos, desencadeando hiperplasia folicular e histiocitose sinusal pigmentada. Neste caso, a presença concomitante de lesões cutâneas crônicas e linfadenomegalias em múltiplas cadeias, ampliou o diagnóstico diferencial para causas infecciosas, autoimunes e neoplásicas. Entretanto, a ausência de sintomas constitucionais e exames laboratoriais normais reduzem a probabilidade de doença sistêmica. A identificação histopatológica de pigmento exógeno em histiócitos linfonodais, neste contexto, permitiu estabelecer o diagnóstico e excluir condições de maior morbidade, especialmente doenças proliferativas. Conclusão: A hiperplasia folicular linfoide e a histiocitose sinusal ligados a pigmentos exógenos devem ser considerados no diagnóstico diferencial em pacientes com linfonodomegalias persistentes, especialmente se lesões cutâneas associadas, sobretudo na presença de tatuagens. O reconhecimento desta entidade reforça a relevância da correlação clínico-patológica e investigação histopatológica, evitando diagnósticos equivocados, ansiedade ao paciente e procedimentos invasivos desnecessários.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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